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Cronologia da Crise:

Maio de 2005

14.05.2005

A revista Veja chega às bancas de jornal. Traz a reportagem “O homem-chave do PTB”. Transcreve trechos de uma fita de 114 minutos de duração, filmada e gravada por dois homens. O interlocutor deles, Maurício Marinho, chefe do departamento de contratação e administração de materiais da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), não sabe que uma câmara oculta registrava todas as suas palavras.

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15.05.2005

Os telefones de Brasília não param de tocar. Auxiliares do presidente Lula, nervosos, conversam com líderes da base aliada. De outro lado, o PTB cobra apoio a Roberto Jefferson. Quer solidariedade do governo. A mesma que recebeu o ministro José Dirceu (PT-SP), em fevereiro de 2004. Na época, uma outra fita de vídeo captou imagens e a conversa do assessor e braço direito de Dirceu, Waldomiro Diniz. Ele pedia propina a Carlinhos Cachoeira, um empresário do jogo. Em troca, oferecia facilidades em negócios com o governo do Rio de Janeiro.

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16.05.2005

O ministro José Dirceu (PT-SP) concede entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura. Afirma: o governo Lula “não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção”. Rebate insinuações de fisiologismo:

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17.05.2005

Os principais jornais do país destacam a atividade da oposição que defende a instalação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção nos Correios. Para o jornal O Estado de S. Paulo, em editorial, “o governo tem escassas condições morais para enfrentar às últimas conseqüências o novo escândalo na área federal”. O jornal sustenta que “dos 6 mil cargos de confiança cujos titulares o próprio governo admite já ter substituído – de um total disponível superior a 20 mil –, os jeffersonianos foram contemplados com cerca de 2 mil”.

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18.05.2005

Novos trechos da fita em que Maurício Marinho revela a corrupção nos Correios são publicados nos jornais. O funcionário envolve a Novadata, do empresário Mauro Dutra, o Maurinho, amigo de Lula e que já atuou como arrecadador de dinheiro para campanhas do PT. A empresa, especializada em informática, fornece computadores para o governo federal. Marinho refere-se a uma operação para favorecer a Novadata em licitação. Eis o diálogo, que começa com o interlocutor que gravava a conversa:

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19.05.2005

O governo Lula põe em prática estratégia para tentar barrar a CPI. Os repórteres especializados na cobertura política de Brasília noticiam uma operação para abafar o caso. A tática:

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20.05.2005

Enquanto caminha por um dos corredores do Palácio do Planalto, em Brasília, em direção a uma solenidade oficial, Lula é abordado por jornalistas. Os repórteres querem saber se a CPI dos Correios preocupa. Diz o presidente, sorrindo:

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21.05.2005

A revista Veja traz nova denúncia. Com o título “Mesada de R$ 400 mil para o PTB”, a acusação de que Lídio Duarte, o presidente do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), uma estatal federal, vinha sendo pressionado a entregar R$ 400 mil por mês ao PTB. Segundo Veja, um corretor de seguros, Henrique Brandão, agindo em nome do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), exigiu a quantia do presidente do IRB.

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22.05.2005

O ministro Márcio Thomaz Bastos anuncia a abertura de inquérito na Polícia Federal para investigar denúncias de corrupção no IRB. Faz parte da estratégia de esvaziar a CPI. O governo quer convencer parlamentares e a opinião pública de que toma as providências necessárias. Não quer uma apuração política em âmbito do Congresso Nacional. Afirma o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP):

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23.05.2005

O governo alega excesso de arrecadação para anunciar aumento de R$ 773 milhões nos gastos da União. E faz chegar aos ouvidos dos parlamentares, com esperteza, a promessa: R$ 200 milhões vão para emendas ao orçamento. Para beneficiar, claro, as bases eleitorais de deputados e senadores. Recado mais direto, impossível: haverá recursos, mas apenas para aqueles cujos nomes estiverem fora do requerimento de criação da CPI.

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24.05.2005

A Folha de S.Paulo defende, em editorial, a instalação da CPI dos Correios. E publica, em mais de meia página, os nomes dos deputados e senadores que assinaram o pedido de criação da comissão de investigação.

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25.05.2005

Em sessão tumultuada, o Congresso cria a CPI dos Correios. 236 deputados e 52 senadores assinaram o requerimento que autoriza a investigação, bem mais do que o número mínimo necessário, 171 deputados e 27 senadores. A derrota do governo é expressiva porque 14 deputados e um senador do PT votaram pela instalação da comissão. Está aberta uma crise no partido do presidente Lula.

continua
26.05.2005

Outra empresa na área de influência do PTB vai parar nos jornais. A Folha de S.Paulo publica que a Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobrás, recomendou a contratação da corretora Assurê Corretagem de Seguros. É a empresa de Henrique Brandão, o amigo de Roberto Jefferson, escolhida para intermediar um seguro de US$ 3,6 milhões das Usinas de Angra 1 e 2, em 2004. O jornal afirma que o negócio rendeu US$ 360 mil para Brandão.

continua
28.05.2005

A revista Veja traz depoimento do líder do governo Lula no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN). A história é reveladora. O senador queria emplacar um afilhado político, Ezequiel Ferreira de Souza, no cargo de diretor de tecnologia dos Correios. Mas de nada valeram os compromissos e as promessas, ou o esforço de Bezerra. O caso envolve também um personagem importante da crise, o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Diz o senador:

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29.05.2005

Lula volta de viagem à Ásia. Faz reunião de emergência para discutir formas de controlar a CPI. Fontes do Palácio do Planalto informam: o governo desistiu de tentar barrar a comissão com obstruções e medidas protelatórias. A partir de agora, a estratégia é conter as investigações, restringindo-as aos Correios.

continua
30.05.2005

O Jornal Nacional, da TV Globo, divulga informações da CGU (Controladoria-Geral da União), que descobriu um contrato fraudulento de R$ 8 milhões para os Correios comprarem 1.500 cofres. Foi Maurício Marinho quem fez o “acerto”. Os cofres são menores do que os previstos no contrato. Em troca, teria havido um “desconto”. São suspeitos outros processos de compra, para medicamentos e uniformes, assim como contratos ligados aos serviços da rede postal noturna.

continua
31.05.2005

Descontrolados com notícias que não param de pipocar, deputados e senadores da “tropa de choque” do governo mudam de tática. A ordem agora é “matar” a CPI na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), um órgão da Câmara dos Deputados. Ali o Palácio do Planalto acha que dispõe de votos para frustrar a CPI, declarando-a inconstitucional.

continua
1.06.2005

A imprensa volta a noticiar os subterrâneos do poder. As estatais Furnas Centrais Elétricas e Infraero indicaram, de forma suspeita, negócios a ser intermediados pela corretora de seguros Assurê, de propriedade de Henrique Brandão, o amigo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Brandão aparece associado à corretora norte-americana Acordia. A notícia é da Folha de S.Paulo.

continua