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Cronologia da Crise:

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17/05/2005

Os principais jornais do país destacam a atividade da oposição que defende a instalação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção nos Correios. Para o jornal O Estado de S. Paulo, em editorial, “o governo tem escassas condições morais para enfrentar às últimas conseqüências o novo escândalo na área federal”. O jornal sustenta que “dos 6 mil cargos de confiança cujos titulares o próprio governo admite já ter substituído – de um total disponível superior a 20 mil –, os jeffersonianos foram contemplados com cerca de 2 mil”.

Lula defende o deputado Roberto Jefferson em almoço com líderes da base aliada no Palácio do Planalto. Diz ser contra a CPI:

– Precisamos ter solidariedade com os parceiros, não se pode condenar ninguém por antecipação.

E insiste, para que todos ouçam, ao chamar para perto de si o líder do PTB, deputado José Múcio (PE):

– Zé Múcio, diga ao Roberto Jefferson que sou solidário com ele. Parceria é parceria. Tem de ter solidariedade. O Roberto Jefferson é inocente até prova em contrário. Quem tiver culpa no cartório que pague. Essa é a hora em que o Roberto Jefferson vai saber quem é amigo dele e quem não é.

Num discurso de 41 minutos no plenário da Câmara dos Deputados, Jefferson nega envolvimento em esquema de corrupção nos Correios. Diz que o PTB é tão ético quanto o PT. E ele, Jefferson, tão ético quanto o presidente do PT, José Genoino (SP). Rebate a acusação de que o PTB é fisiológico. Lista os cargos que tem no governo federal:

– Temos a presidência do Instituto de Resseguros do Brasil, a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, uma diretoria da BR Distribuidora, da Embratur, da Eletronorte e da Eletronuclear, além das delegacias de trabalho do Rio e de São Paulo.

Para Jefferson, os R$ 3.000,00 recebidos por Maurício Marinho não eram propina, mas pagamento por uma consultoria.

– Ele não vendia nem comprava nada. Ele estava sendo contratado como consultor.

Sobre seu relacionamento com o funcionário, diz:

– Estive com ele três ou quatro vezes. Ele esteve uma vez no meu aniversário. Outra vez, no aeroporto. Esteve uma vez na liderança do partido. Mas nunca integrou nossos quadros e nunca recebeu delegação para pedir recursos a qualquer pessoa.

Agora, o relacionamento de Jefferson com o PT:

– Houve uma conversa entre mim e o Genoino. Iríamos apoiar o PT em alguns Estados, e o PT, que segundo os jornais possuía um caixa de mais de R$ 120 milhões, iria transferir recursos para o PTB. Isso acabou não se concretizando. Genoino não pôde, disse que não dava para sustentar as suas campanhas, quanto mais as minhas. Não foi algo que ferisse a moral, a ética ou a boa relação republicana entre partidos.

Em seguida, fazendo num gesto teatral:

– Vou descer da tribuna e assinar o pedido de CPI. Nada temo. O PTB não se preocupa com investigação.

Comentário do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP):

– Jefferson se saiu bem. Nem os opositores mais duros do governo questionam a ética do deputado.

Nos bastidores, porém, governo e aliados buscam evitar a abertura da CPI. O líder do PL na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), telefona para os colegas e apela para que não endossem as investigações. O líder do PT, deputado Paulo Rocha (PA), faz a mesma coisa:

– A CPI é um instrumento de disputa política que a oposição usa contra o governo.

Julgamento do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) considera irregular contrato celebrado pelo ministro Antonio Palocci (PT-SP), na época em que foi prefeito de Ribeirão Preto (SP), em 2002. O motivo: não ficou provado interesse público na dispensa de licitação para contratar a Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto). Não houve pesquisa de mercado para justificar o preço da contratação, um negócio de R$ 3,5 milhões, que previa a realização do projeto arquitetônico do Vale dos Rios.

A obra previa a revitalização da região central de Ribeirão. Jamais foi realizada. Apesar disso, chegaram a gastar R$ 2 milhões. A Coderp só explicou o destino de R$ 323 mil. A denúncia: não há registros legais sobre o dispêndio de R$ 1,7 milhão.

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