Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

6
19/05/2005

O governo Lula põe em prática estratégia para tentar barrar a CPI. Os repórteres especializados na cobertura política de Brasília noticiam uma operação para abafar o caso. A tática:

  • Pressão para a retirada de nomes do protocolo que pede a instalação da CPI, a fim de evitar o número de assinaturas necessário para viabilizar a comissão. Argumento: a oposição fará da investigação um palanque eleitoral; *
  • Propalar, entre as forças aliadas, que quem mantiver a assinatura vai virar inimigo. Não será contemplado com a liberação de emendas do orçamento, e terá de devolver os cargos do governo para os quais indicou ocupantes; *
  • Quem retirar o nome, ao contrário, terá os pleitos atendidos e será recompensado. Poderá fazer nomeações para cargos no executivo; *
  • Ponto importante é intimidar a oposição, com a ameaça de CPI para o setor elétrico, com função de investigar procedimentos da época do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP); *
  • Detalhe: a nomeação de um apadrinhado do presidente da Câmara para uma diretoria da Petrobrás. É pleito de Severino Cavalcanti (PE), do PP (Partido Progressista), cujo apoio não se pode prescindir; *
  • Se a operação-abafa não for bem-sucedida, os governistas e o presidente do Senado, o aliado Renan Calheiros (PMDB-AL), têm uma saída: não indicam os nomes para compor a CPI; *
  • Em último caso: conseguir os principais cargos da CPI, o de relator e o de presidente, e tratar de neutralizá-la. *

O esforço do governo não produz os resultados esperados, como mostra o recuo de Severino, o presidente da Câmara, até a véspera um fervoroso crítico da CPI:

– Esta Mesa não criará nenhum obstáculo para esclarecer a verdade. Faremos todo o possível para que a população respeite esta Casa. E só haverá respeito se cumprirmos nossos deveres. Quero dizer que a CPI será instalada se cumprir todos os requisitos regimentais.

anterior | próxima | início