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Cronologia da Crise:

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21/05/2005

A revista Veja traz nova denúncia. Com o título “Mesada de R$ 400 mil para o PTB”, a acusação de que Lídio Duarte, o presidente do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), uma estatal federal, vinha sendo pressionado a entregar R$ 400 mil por mês ao PTB. Segundo Veja, um corretor de seguros, Henrique Brandão, agindo em nome do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), exigiu a quantia do presidente do IRB.

A revista conta que Lídio Duarte ficou em dúvida, não sabia ao certo se Henrique Brandão falava mesmo em nome do PTB. A saída foi procurar Roberto Jefferson. Veja:

“Na conversa, Jefferson não deixou dúvidas: disse que era amigo de Henrique Brandão havia mais de 30 anos, repetiu que as despesas do partido eram altas e que precisava da colaboração financeira dos dirigentes indicados para seus cargos pelo PTB. Em outras palavras: quem tinha cargo tinha que roubar.”

Lídio Duarte pede demissão. Em seu lugar, assume o posto Luiz Appolônio Neto, sobrinho do deputado Delfim Netto (PP-SP), outro apadrinhado de Jefferson e de um importante deputado do PTB, o ex-governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho.

O IRB tem monopólio do mercado nacional de resseguros internacionais. Movimenta cerca de US$ 450 milhões por ano. Faz operações com 23 corretoras credenciadas, como a de Henrique Brandão. Diz Veja:

“Apenas no primeiro ano, a corretora de Brandão abocanhou 10% de todos os seguros de embarcações e 20% dos de empresas aéreas. Desde 2003, nesse ambiente esplendorosamente favorável, os negócios de Brandão, o amigo de três décadas de Roberto Jefferson e empregador de seu genro, crescem a um ritmo de 25% ao ano.”

No jornal O Estado de S. Paulo, entrevista com o ex-presidente do IRB. Lídio Duarte afirma ter se recusado a fazer contratações de apaniguados políticos. A pedido de Roberto Jefferson, recebeu deputados do PTB como Nelson Marquezelli (SP) e Elaine Costa (RJ), que solicitaram nomeações para pessoas do seu círculo de influência:

– Expliquei que isso não era possível, porque no IRB todos os funcionários são de carreira, todos concursados.

A regra do concurso público não vale, como se verá, para cargos de alta direção no IRB. Em outra reportagem, O Estado informa que os principais postos da estatal estão loteados entre PTB, PT, PMDB e PP. O jornal destaca o papel exercido por Luiz Eduardo Lucena, indicação do PP, na diretoria comercial do IRB:

“Com tanta autonomia, o apadrinhado do PP chegou a manipular, em média, R$ 300 milhões em contratos, que geraram R$ 21 milhões de comissões de corretagem.”

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