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Cronologia da Crise:

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24/05/2005

A Folha de S.Paulo defende, em editorial, a instalação da CPI dos Correios. E publica, em mais de meia página, os nomes dos deputados e senadores que assinaram o pedido de criação da comissão de investigação.

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) reage a declarações do presidente do PT, José Genoino, segundo as quais o governo precisava “requalificar” a base de apoio. Dá na imprensa:

– Genoino disse que o PT não empurra lixo para debaixo do tapete. Todos sabem que empurra.

Jefferson diz que o partido de Lula é traiçoeiro. Compara-o à fábula do escorpião que pede ao sapo para atravessar o rio em suas costas. Promete não picá-lo, mas trai. Não consegue contrariar a própria natureza. Os dois morrem afogados.

– O PTB é o sapo.

O presidente do PTB confidencia que os ministros José Dirceu (PT-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), das Relações Institucionais, estiveram em sua própria casa no dia anterior.

– Eles só faltaram se ajoelhar para pedir a retirada das assinaturas.

E, com ironia:

– Mas a CPI que pega o governo, com 18 estatais, com tentáculos enormes, vamos trazer aqui o tesoureiro do PT, o segundo tesoureiro, o Silvinho, vamos trazer o Dirceu. Ah!, essa é importante.

O Ministério Público reabre as investigações sobre o seqüestro e o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), ocorrido em janeiro de 2002. E anuncia a convocação do chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, para prestar depoimento. Carvalho ocupava o cargo de secretário de Governo de Santo André, na época do crime.

Antes de ser morto, Daniel fora escolhido para ser um dos coordenadores da campanha eleitoral de Lula em 2002. Como tal, era encarregado de arrecadar dinheiro para os cofres do PT. Morto Daniel e eleito Lula, Carvalho assume o cargo de chefe de gabinete do presidente. Cuida dos afazeres de Lula.

O caso é reaberto porque promotores tiveram acesso a um envelope dirigido a Daniel. Continha um dossiê de 80 páginas e denúncias contra Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra – ex- segurança de Daniel e depois, graças à convivência na Prefeitura, empresário e acusado de ser o mandante do crime.

Na documentação, um esquema relaciona as empresas de transporte em Santo André a uma rede de corrupção. Parte do dinheiro da propina teria sido destinado à campanha de Lula. No envelope, a anotação: “de parte de Gilberto”.

Os promotores suspeitam que Daniel fora seqüestrado para revelar o paradeiro de documentos que comprometiam Sérgio Sombra. Talvez fossem as provas de um dossiê, com informações comprometedoras acerca de empresas beneficiadas em licitações e contratos supostamente fraudulentos, da Prefeitura de Santo André. A documentação descoberta contém dados pessoais de Sombra:

“Pessoa de inteira confiança do senhor Celso Daniel, seu motorista e segurança particular, tendo ocupado cargo em comissão no gabinete durante a administração anterior. Também ocupou o cargo de assessor parlamentar no gabinete do então deputado federal Celso Daniel.”

O seqüestro ocorreu depois que o prefeito e Sombra jantaram no restaurante Rubayat, na zona Sul de São Paulo. Os dois estavam no automóvel Pajero de Sombra, quando houve a rendição, no caminho de volta a Santo André.

Atitudes de Sombra no momento do seqüestro chamaram a atenção. Suspeita-se que ele conhecia um dos acusados de atacar o prefeito. Fala-se até de um pagamento, de US$ 40 mil, aos homens contratados para fazer o seqüestro. O acerto, feito ali mesmo, na cena do crime.

Sombra ficou preso oito meses. O caso intriga pelas mortes violentas de seis pessoas que testemunharam ou estiveram, por algum motivo, nas cenas do crime. Caso, por exemplo, do garçom que serviu Daniel e Sombra durante o jantar, pouco antes do seqüestro. Ou do homem que chamou a polícia, horas depois, por reconhecer o corpo de Daniel, jogado numa estrada de terra.

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