Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

15
28/05/2005

A revista Veja traz depoimento do líder do governo Lula no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN). A história é reveladora. O senador queria emplacar um afilhado político, Ezequiel Ferreira de Souza, no cargo de diretor de tecnologia dos Correios. Mas de nada valeram os compromissos e as promessas, ou o esforço de Bezerra. O caso envolve também um personagem importante da crise, o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Diz o senador:

– No início do ano estive com o Silvio Pereira. Eu disse a ele que o governo tinha um compromisso comigo que não havia sido cumprido. Silvio respondeu que havia uma diretoria dele nos Correios, a de tecnologia, e que poderia colocar o Ezequiel lá.

Bezerra informa que o assunto ficou de ser encaminhado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Pouco tempo depois, o senador recebeu telefonema do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB-MG). A pedido dele, Bezerra apresentou o afilhado ao ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Diz Bezerra:

– Fiquei surpreso quando a conversa começou. Eunício disse que não poderia nomeá-lo naquele momento e que precisaria de uma semana ou uma semana e meia. A justificativa de Eunício é que não ficava bem para ele nomear o Ezequiel sem resolver as questões de nomeação nos Correios do PMDB. Eu disse a ele que esse cargo, a diretoria de tecnologia, havia sido prometido ao Ezequiel por Lula, na frente do Roberto Jefferson e do Fleury. O cargo prometido ao Ezequiel era do PT. O PMDB não tinha nada a ver com isso. Saí de lá e liguei para o José Dirceu. Ele me disse que a nomeação era uma ordem do presidente e que ela iria sair.

Não saiu. O que chegou ao senador, conforme a explicação que deu à revista, foi uma carta anônima:

– A nota dizia que a nomeação não sairia porque havia uma licitação no valor de US$ 56 milhões. A carta dizia também que a licitação tinha um sobrepreço de 20%.

Para Veja, a nomeação “atrapalharia uma licitação fraudulenta dirigida por Eduardo Medeiros, atual diretor de tecnologia da estatal e homem ligado ao PT”. E mais: a fim de viabilizar a licitação para a compra de kits de informática destinados aos Correios, o diretor Medeiros e um assessor dele, Edilberto Petry, “estavam definindo especificações dos equipamentos sob orientação da Novadata, empresa pertencente a Mauro Dutra, amigo de Lula”.

Depois de ter recebido a carta anônima, o senador Bezerra encontrou o ministro das Comunicações, num jantar em Brasília. Ouviu do ministro:

– Procure ver as verdadeiras razões para o veto ao Ezequiel na Casa Civil.

anterior | próxima | início