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Cronologia da Crise:

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11/06/2005

Nova gravação clandestina com diálogos mantidos por Maurício Marinho chega à imprensa. Desta vez, são divulgadas na Folha de S.Paulo. Investigações sugerem disputas comerciais como causa das escutas. As conversas revelam tentativas de extorquir empresários que desejam firmar contratos para fornecer bens e serviços aos Correios.

A fita segue o mesmo padrão da anterior. Marinho recebe em sua sala interlocutores supostamente ligados a empresários, interessados em negócios com os Correios. Sem saber que está sendo gravado, uma vez mais o funcionário menciona seus contatos com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Marcus Vinícius Vasconcelos Ferreira, o genro de Jefferson e assessor da diretoria da Eletronuclear. Trecho do diálogo, que começa com o interlocutor:

– Eles querem garantir a condição deles dentro dos Correios. É mais do que importante, é vital até, para essa empresa. E queriam saber daí de você, de mim, me disseram, “olha, Joel, vê se é ele mesmo a pessoa”.

– Nós estamos conversando aqui. Eu vou sair daqui ainda hoje e vou direto para o diretor, tá?

– O que eu precisava saber de você... Mas isso bem exato e prático. Quais seriam os valores, incluindo a diretoria. Porque aí eu acerto com você as coisas, e você faz essa distribuição.

– Normalmente é feito isso, todo negócio é acertado... Tem algo que sobe, né?, e um “x” que fica embaixo. Isso é acertado assim.

– Sim, mas você me deixa numa condição meio tranqüila, porque efetivamente você tem essa condição de negociação.

– Tenho. O que for acertado... O que for fechado é o que sobe.

“O PT assombra o Planalto”, diz o título de reportagem de Veja. A revista afirma que o mensalão, no valor de R$ 30 mil, é pago “para um plantel estimado de uns 90 deputados, o que daria cerca de R$ 2,7 milhões mensais”. Relata ter conversado com três ministros, cinco deputados e um senador, e que “todos confirmaram, com a condição de não ter a identidade revelada, a existência do mensalão”. Informa que os nove políticos pertencem ao PT, PMDB, PSB, PP e PFL. “Esses políticos contam que Delúbio desembarcava em Brasília com o dinheiro e se dirigia à residência dos líderes e presidentes de partidos para fazer a distribuição”.

Veja traz declaração de um deputado petista que pede para não ser identificado. Segundo ele, o PT despreza o Congresso:

– O PT acredita que é um poder burguês. Por isso, acha que lá só tem corrupto e que o jeito mais fácil de controlá-lo é com dinheiro.

Em outra reportagem, Veja acusa madeireiros do Pará de doarem dinheiro a lideranças do PT, em troca de autorização para derrubar árvores na Amazônia. O esquema reuniu três candidatos a prefeito nas últimas eleições, dois deputados do PT, funcionários do Ibama, Incra, sindicalistas e madeireiros. Escreve Veja:

“Os três candidatos a prefeito pelo PT, apurou a reportagem, teriam recebido pelo menos R$ 300 mil de madeireiros, às vésperas das eleições, em troca de autorização do Ibama para derrubar madeira ilegal. São eles: Paulo Medeiros, de Urará; Chiquinho do PT, de Anapu; e Lenir Trevisan, de Medicilândia.”

Tudo intermediado pelos deputados petistas José Geraldo e Airton Faleiro, ambos ligados ao Ibama. Veja descreve o método, “de um descaramento nunca visto”. Feito o desmate ilegal e vendida a madeira nobre, o transporte passa pelos postos de fiscalização graças a um adesivo colado nos caminhões. Os dizeres, impressos no adesivo: “oPTante do Plano Safra Legal 2004”, assim mesmo, com as letras “p” e “t” em maiúsculo.

O empresário Leivino Ribeiro, da Associação de Madeireiras dos Municípios de Anapu e Pacajá, concede entrevista. Afirma que gastou R$ 2 milhões com procedimentos para “documentar” a madeira, na parceria com o PT. A revista reproduz trechos de uma conversa gravada entre o deputado João Batista Oliveira, o Babá (PSOL-PA), ex-petista, e um representante do sindicato dos reflorestadores do Pará. Pergunta do deputado:

– Como era essa história do adesivo?

– O pessoal intitulou o acordo de “Optante do safra legal”, com destaque para a sigla do PT no adesivo. Os caminhões com esse adesivo iam sem ninguém perturbar. Só em Anapu foram mais de 100 mil metros cúbicos de madeira nesse esquema.

– Mas por que o Ibama liberou toda essa madeira? Vocês deram apoio para o PT na região?

– Foi dado apoio, sim. Estou falando isso como sindicalista, sou do Sindifloresta, participei das negociações, mas estou achando uma grande sacanagem.

– Mas tinha contrapartida financeira?

– Eles aproveitaram o momento para pedir apoio. O setor madeireiro tem muito voto e também deu apoio financeiro.

O jornal O Estado de S. Paulo denuncia: Delúbio Soares, o tesoureiro do PT, é funcionário fantasma. Professor de matemática da Secretaria de Educação de Goiás, recebe salário mas não vai trabalhar. Está licenciado, com remuneração mensal de R$ 1.242,56 para prestar serviços no sindicato da categoria, em Goiânia. Mas há cinco anos Delúbio responde pelas finanças do PT e vive no eixo São Paulo-Brasília, bem distante de Goiás. Antes disso, foi secretário sindical do PT por cinco anos, e tampouco prestou serviços no sindicato. Delúbio costuma se apresentar, falsamente, como professor aposentado.

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