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Cronologia da Crise:

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13/06/2005

O presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), vai à forra. Depois de acusado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) de envolvimento no escândalo do mensalão, trata de disparar contra o oponente. Para Valdemar, Jefferson quer “tomar dinheiro” de alguém. Diz duvidar da doação de R$ 4 milhões do PT ao PTB, em 2004. Motivo: o PTB está “cheio de cargos no governo”, e “ajudando um monte de empresários”. Palavras de Valdemar:

– Como é que vai dar dinheiro em campanha para um cara que tem milhares de cargos? Há diversos empresários que atuam nessas empresas que podem fazer doações para o partido. Qual é a justificativa para dar um mundo de cargos e, depois, dar dinheiro para eleição? Isso não bate.

O ataque contra Jefferson:

– Como não bate ele reclamar do mensalão. Um camarada que extorque empresas abrirá mão de mesada? Vai querer em dobro. Vai dizer: “Tô bravo porque tem mesada?” Ele falava aquilo para conseguir mais cargo. Foi com essa história de mensalão para conseguir mais espaço.

Para Valdemar, não tem lógica uma estratégia para fornecer mesadas a dezenas de deputados:

– Quem vai administrar um negócio desse? Você tem um problema em casa, com a mulher, um assessor... O pessoal deda.

A deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) confirma ter recebido oferta em dinheiro para mudar de partido e fazer parte da base aliada do governo. Recusa-se, porém, a dar detalhes do episódio:

– A verdade me obriga a dizer que sim, eu fui convidada a mudar de partido. Agora, a responsabilidade me obriga a parar por aqui. Porque não posso provar. Vai ser a palavra de uma pessoa contra a palavra da pessoa que me fez o convite.

O ministro José Dirceu (PT-SP) faz saber, por meio da assessoria, que “minha relação com o presidente é excelente”. E manda o recado:

– Não faço nada que não seja de comum acordo e determinado por ele. Na declaração, todo o veneno e a ameaça implícita. Dirceu seria capaz de vir a público contar a verdade?

O diretor de Administração e Finanças da Embratur, Emerson Palmieri, pede exoneração do cargo. Ele foi citado por Roberto Jefferson como tesoureiro informal do PTB. Teria a função de receber e distribuir pagamentos do PT dentro do PTB.

Maurício Marinho admitiu ao Ministério Público Federal que recebeu mais de 300 fornecedores e prestadores de serviços, interessados em assinar contratos com os Correios. A notícia ganha destaque nos jornais. O funcionário confessou que o genro de Jefferson, Marcus Vinícius Vasconcelos Ferreira, intermediou o acesso de empresários aos Correios. Trecho do depoimento:

“Marcus Vinícius foi muitas vezes na ECT. Marcus Vinícius pedia ao depoente que atendesse determinados fornecedores, entre os quais César de tal (fornecedor de copiadoras) e Cristiano Brandão ou outra pessoa (área de tecnologia). Que não consegue se recordar de outras pessoas, mas pode informar que Marcus Vinícius o apresentou a outros fornecedores mais de duas vezes.”

Denúncia contra os ministros José Dirceu (PT-SP) e Ciro Gomes (PSB-CE). Diz respeito ao projeto para a transposição de águas do rio São Francisco. Declarações do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), reproduzidas no site do Jornal do Brasil, dão conta de que Roberto Jefferson (PTB-RJ) teria exibido uma fita para a bancada do partido, com a comprovação da maracutaia.

Jefferson teria ido ao gabinete de Ciro com os deputados Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), José Múcio (PTB-PE) e o senador Fernando Bezerra (PTB-RN). Queria assuntar sobre a contratação de uma empresa de consultoria, dentro do projeto de transposição. Ciro teria informado que o problema já tinha sido resolvido, com outras duas empreiteiras. O acordo firmado envolveria Dirceu. Ciro, porém, teria sinalizado com outros negócios, em novas licitações, num futuro próximo.

Acusação contra a Petrobrás. A estatal teria favorecido Prefeituras do PT e de partidos da base aliada, na Bahia. O motivo, patrocínios para festas de São João. Apesar de o PFL administrar 150 cidades baianas, recebeu recursos para festas em apenas dois municípios. Já o PT, que controla 18 Prefeituras da Bahia, recebeu patrocínios em oito cidades. O coordenador de comunicação da Petrobrás, Rosemberg Pinto, responsável pelo programa, é filiado ao PT. Outros dez municípios agraciados são administrados por PP, PL, PMDB e PC do B, todos partidos com representantes na base aliada do governo Lula. Pinto não informou quanto a Petrobrás desembolsou com os patrocínios.

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