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Cronologia da Crise:

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17/06/2005

A imprensa noticia que dois diretores indicados pelo PT e afastados como os demais da cúpula dos Correios, em razão das irregularidades ocorridas na estatal, já estão novamente nomeados nos Correios, uma semana depois de terem sido oficialmente desligados da estatal. Eduardo Medeiros de Morais, afastado da diretoria de tecnologia, e Maurício Coelho Madureira, afastado da diretoria de operações, são agora os novos consultores dos Correios. Os salários: R$ 10.000,00 cada um, para trabalhar diretamente no gabinete da presidência da estatal. Depois da notícia, as nomeações são canceladas.

O Campo Majoritário, o maior grupo interno do PT, segmento liderado pelo deputado José Dirceu (PT-SP), decide manter nos quadros do partido o tesoureiro Delúbio Soares e o secretário-geral, Silvio Pereira. Para Delúbio, houve acusações falsas. Ele avisa que não deixará o cargo, pois “seria uma confissão de culpa”:

– Agi dentro das regras da política.

Manifestação de Silvio Pereira:

– O que eu fiz foi decisão partidária. Se eu sair, vai ter de sair todo o mundo.

O presidente José Genoino, por sua vez, recusa-se a pôr em discussão o afastamento dos dois dirigentes. Para ele, as acusações são inconsistentes:

– Não será sequer objeto de avaliação. Será adotado o melhor para o partido.

O deputado Roberto Jefferson (RJ) anuncia que se licencia do cargo de presidente nacional do PTB. Reportagem da Folha de S.Paulo informa que Jefferson omitiu das duas últimas declarações de renda, entregues ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), a propriedade de dois apartamentos em Cabo Frio (RJ), comprados em 1997. Uma casa em Petrópolis (RJ), adquirida em 1990, tampouco constou das declarações de Jefferson ao TRE.

O jornal O Estado de S. Paulo traz reportagem denunciando dois altos dirigentes do PT. Eles teriam tentado comprar, por R$ 4 milhões, o apoio da bancada do PPS na Câmara Municipal de São Paulo. O objetivo da investida: obter apoio dos dois vereadores do partido ao governo da então prefeita Marta Suplicy (PT-SP).

A oferta teria sido feita ao presidente do PPS de São Paulo, Carlos Fernandes, e ao tesoureiro do partido, Ruy Vicentini. Os dois foram chamados a conversar numa padaria no bairro dos Jardins, em 2004. Os emissários que falaram em nome do PT seriam o secretário-geral do partido, Silvio Pereira, e o secretário de Projetos Especiais de Marta Suplicy, Valdemir Garreta.

Em um segundo encontro, realizado em hotel paulistano, Garreta, ao lado de um assessor de Rui Falcão – o dono do estratégico cargo de secretário de Governo de Marta Suplicy –, teria reiterado a oferta. O PPS rejeitaria o suborno. De acordo com o tesoureiro Vicentini, a tentativa de comprar o partido foi registrada em ata. Ele conta como Garreta fez a abordagem:

– Aí ele disse: “Vamos ser práticos e me entrega um planejamento de campanha”. Eu disse que não ia entregar. Aí ele disse: “Eu estou autorizado pelo tesoureiro do partido a chegar até R$ 4 milhões, sendo R$ 2,5 milhões na hora de firmarmos o compromisso, e o outro R$ 1,5 milhão na campanha”. Eu levantei e disse: “O partido não está à venda”.

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