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Cronologia da Crise:

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18/06/2005

A revista Época traz a manchete de capa “Homem da Mala”. A reportagem, de Diego Escosteguy, traça um perfil de João Cláudio Genu, o chefe de gabinete do líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR). Genu é apontado como braço direito de Janene, e “principal executivo na operação do mensalão”. Época:

“O partido de Janene teria um esquema de arrecadação muito semelhante ao do PTB de Jefferson. Apadrinhados bem posicionados em estatais garantem a arrecadação. O PP instalou diretores na Petrobrás, em Furnas, no Instituto de Resseguros do Brasil e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O dinheiro chega a Brasília trazido por emissários ou pelo próprio Genu. Depois, é distribuído. Segundo relato de um parlamentar, vem em envelopes.”

A revista aponta que o PP, após aderir ao governo Lula, engordou a bancada do partido. Passou de pouco mais de 20 para 56 parlamentares. E informa que os mensalões, no PP, variavam de deputado para deputado:

“Os valores variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil, a depender da importância do político recompensado. O local de entrega varia. Às vezes é o apartamento do próprio Janene, apelidado de ‘a pensão’ dentro da bancada do PP. Outras, a própria sala da liderança. Em alguns casos, a casa que Genu mantém para festas no bairro Park Way, em Brasília. O chefe de gabinete de Janene é apontado como responsável pela logística da operação. O mensalão vinha sendo usado para atrair novos deputados e para garantir que alguns deles seguissem fielmente as orientações do partido.”

Sobre o patrimônio de Genu, cujo salário alcança R$ 5.720,00:

“O assessor é dono de um apartamento de luxo, uma casa no setor de mansões de Brasília e cinco carros, dois deles importados. Numa avaliação pessimista, nos últimos cinco anos, amealhou entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. Metade disso só no governo atual. Na declaração que entregou ao Imposto de Renda no início do ano, declarou ter ganho menos de R$ 80 mil em 2004. Pelo recolhimento de CPMF, a Receita descobriu que passaram por suas contas bancárias R$ 680 mil no mesmo período.”

A revista Isto É também destaca o deputado José Janene (PP-PR), o chefe de Genu. O relato dos repórteres Amaury Ribeiro Jr. e Luiz Cláudio Cunha é demolidor:

“Curiosamente, nos dois primeiros anos do governo Lula, que coincidem com a idéia milagrosa do mensalão denunciado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, Janene desencravou da miséria. Documentos obtidos por Isto É em cartórios, órgãos oficiais e sindicatos rurais do Paraná mostram que Janene e sua mulher, Stael Fernanda, viraram proprietários em 2003 e 2004 de uma dezena de fazendas, imóveis e uma frota de carros importados avaliados em cerca de R$ 7 milhões. O casal amealhou tudo isso ganhando, junto, R$ 200 mil anuais, média mensal de R$ 16,5 mil – pouco mais que meio mensalão. Nesta fantástica engenharia financeira não estão incluídas outras jóias de seu patrimônio: rebanhos de gado e ovinos, safras de soja e a mansão de R$ 2 milhões, ainda em construção, encravada no Royal Golf, um elegante condomínio fechado na zona mais elegante de Londrina, onde é vizinho, entre outras personalidades endinheiradas, do locutor global Galvão Bueno.”

As agências de publicidade de Marcos Valério são mais uma vez notícia de jornal. A Folha de S.Paulo traz reportagem informando que a Polícia Civil de Minas Gerais investiga a DNA e a SMPB por compra de notas fiscais frias. O inquérito policial traz 23 notas falsas, mas suspeita-se que o número seja muito maior.

Do repórter Mario Cesar Carvalho: “O uso de notas frias por agências de publicidade que trabalham para o governo é um método clássico para desviar dinheiro. Imagine que a agência X contratou 10 figurantes para um comercial. Na nota fiscal, os 10 podem virar 100 e a diferença em dinheiro vai para partidos ou políticos”.

A matéria informa que Valério já foi condenado a dois anos e 11 meses de reclusão, porque suas agências sonegaram contribuições previdenciárias. Segundo a sentença, a DNA “deixou de recolher contribuições sociais devidas valendo-se de expedientes escusos diversos, sobretudo omitindo, de seus registros contábeis, fatos geradores daqueles tributos”.

O jornal explica: “A agência não lançava na folha os valores pagos a empregados a título de remuneração e também fazia pagamentos a empregados da empresa como se fossem trabalhadores autônomos. A escrituração de pagamentos de salários em ‘contabilidade paralela’ foi comprovada com a apreensão de um documento que descreve os ‘procedimentos adotados para efetuarmos pagamentos de salários aos funcionários que recebem seus vencimentos através do caixa (2)’”.

Em reportagem, O Estado de S. Paulo trata da empresa CGI Informática, cujos contratos com a Petrobrás no Paraná, em 2004, alcançavam R$ 6,6 milhões. A empresa teria alugado 70 automóveis e entregue os veículos para a campanha eleitoral à Prefeitura de Curitiba, no mesmo ano de 2004, para uso político da aliança que reunia PT, PTB, PL e parte do PMDB. Nota fiscal reproduzida no jornal atesta o pagamento de R$ 8.400,00 para o aluguel dos veículos, somente por um período de dois dias.

A enxurrada de denúncias não pára. A Folha de S.Paulo traz reportagem centrada no relato do tesoureiro do PT do Maranhão, Luís Henrique Sousa, para 20 pessoas, durante uma reunião partidária na capital São Luís, em janeiro de 2005: a direção nacional do PT mandara um emissário à cidade portando “uma mala” repleta de “verdinhas”. O dinheiro serviria para pagar dívidas contraídas durante as eleições de 2004.

As “verdinhas”, no entanto, não seriam dólares, segundo a reportagem, mas apenas a forma como o tesoureiro se expressou para dizer que o dinheiro fora encaminhado pelo partido. A mala trazia R$ 327 mil. Segundo o tesoureiro, as despesas de campanha do PT no Maranhão, no valor de R$ 1,5 milhão, foram autorizadas pelo presidente do partido, José Genoino, e o tesoureiro Delúbio Soares.

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