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Cronologia da Crise:

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20/06/2005

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulga relatório em Washington com criticas ao Brasil. Afirma que o país limita o trabalho de autoridades fiscais e não avança no combate à lavagem de dinheiro, por deixar de exigir esforços maiores dos bancos contra a abertura de contas em nome de “laranjas”.

Para o FMI, a falta de regras, leis claras e o sigilo bancário dificultam os trabalhos do Ministério Público, autoridades policiais e investigadores estrangeiros no acompanhamento de operações e movimentações financeiras executadas a partir do Brasil. O documento faz referência ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda):

“O Brasil deveria considerar emendas à previsão do sigilo bancário e de informações sigilosas para permitir ao Coaf acesso a informações adicionais, bem como documentação relativa aos registros de operações suspeitas.”

E mais: “O Brasil também deveria considerar mudanças nas previsões de sigilo para permitir um acesso mais amplo das autoridades às informações financeiras sem ordem judicial”.

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) concede entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Reafirma que existe um esquema de corrupção no governo Lula. Envolve três lideranças do PT na organização das operações: José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira. Acrescenta: “A última palavra era sempre do Zé Dirceu”. Jefferson define o ex-ministro como “uma espécie de presidente do PT”:

– Tudo que era fechado no PT tinha que ser homologado lá na Casa Civil.

Jefferson sugere o afastamento dos três dirigentes dos quadros do PT.

– É melhor que eles saiam para salvar a imagem do PT e melhorar a imagem do governo.

Em outro momento da entrevista, Jefferson acusa o esquema de distribuição de dinheiro para deputados da base aliada do governo Lula. Envolve, com ironia, o deputado João Pizzolatti (PP-SC):

– Era feito no café da manhã. O deputado subia e descia com um pacotinho.

Conhecido no início dos anos 90 como um dos líderes da “tropa de choque” do ex-presidente Fernando Collor, Jefferson opina que o nível de corrupção no governo Lula é maior do que aquele que levou ao impeachment de Collor. Para o deputado, o esquema montado naquela época por PC Farias, o tesoureiro de Collor, “era menor, malfeito, às claras, com o rabo de fora”.

Volta a falar dos R$ 4 milhões que diz terem sido repassados pelo PT ao PTB. Refere-se ao tesoureiro informal do PTB, acionado por Jefferson assim que o dinheiro chegou. Diz o deputado:

– Eu pedi ao Emerson Palmieri que guardasse o dinheiro no cofre de um armário de aço, grande.

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