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Cronologia da Crise:

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21/06/2005

Em Luziânia (GO), durante solenidade, Lula classifica de “bobagens” e de “denúncias vazias” as acusações de corrupção no governo:

– Ninguém, neste país, mais do que eu, tem autoridade moral e ética para fazer as mudanças nas instituições e no comportamento social.

Depois de ter prestado depoimento à Polícia Federal e negar o teor da entrevista que dera a Isto É Senhor, aquela com acusações ao empresário Marcos Valério e a integrantes do PT e do governo Lula, a secretária Fernanda Karina concede entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Explica que recuou das primeiras declarações por medo. Um advogado orientou-a e agora volta a confirmar as denúncias:

– Estava com muito medo porque na terça-feira, depois que saí do meu trabalho, na rua por onde passo, veio uma pessoa, um motoqueiro, e parou a moto ao lado do meu carro, fechou meu carro. E disse que, se falasse qualquer coisa, eu colocaria a vida da minha filha e do meu marido em risco.

No Jornal Nacional, Fernanda Karina volta a pôr o dedo na ferida. Diz que Valério costumava manter contato com o tesoureiro Delúbio Soares, “todos os dias”. Menciona as reuniões “com o pessoal do PT”, após Valério efetuar saques de grandes quantias em dinheiro:

– Quando ele saía para as reuniões, antes de sair, passava no andar de baixo, no departamento financeiro, e saía com a mala.

O repórter Ismar Madeira indaga sobre o destino do dinheiro:

– Eles nunca falaram nomes. Esses nomes eu desconheço. Eu sabia que o dinheiro ia para Brasília, e que eles distribuíam lá. Mas para quem, quando e onde, eles não falavam. Era entre eles.

Da entrevista da secretaria:

– Dinheiro eu sabia que tinha dentro de malas, mas nunca foi aberto o dinheiro. Mas sempre sabia. Eles tomavam muito cuidado com o dinheiro, claro.

Sobre o relacionamento de Valério e do deputado José Dirceu (PT-SP):

– Sei que ele conversava muito com o ‘seu’ José Dirceu, o ministro. Apesar de o ministro ligar diretamente para o celular dele, eu liguei para o ministro uma vez. Mas ele sempre falava.

Sobre a relação de Valério com o deputado João Paulo Cunha (PT-SP):

– Estreitas. Sempre que pedia para ligar, eu ligava, falava com a secretária dele em Brasília e ele retornava para o celular do senhor Marcos... As conversas não eram conversas abertas, né? Sempre conversavam por código.

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) afirma ter ouvido conversas da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) sobre uma oferta de dinheiro. A proposta, encaminhada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), era para Raquel trocar o PSDB pelo PL, a fim de fazer parte da base aliada do governo Lula. Do deputado Leréia: – Não sei de valores. Só sei que ela recebeu uma oferta em dinheiro.

Em seu depoimento, Leréia confirma: o governador Marconi Perillo (PSDB) relatou o episódio de assédio à deputada tucana a Lula, durante um evento em Rio Verde (GO), no dia 4 de maio de 2004: – Foi no carro do presidente, na presença do motorista e do ajudante de ordens de Lula.

O Ministério Público acusa o líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR), de receber uma mesada de R$ 21 mil, das empresas de vigilância Tâmara e Principal. As duas foram contratadas pela Prefeitura de Londrina (PR) durante o mandato do prefeito Antonio Belinati, cassado no ano 2000.

De acordo com o Ministério Público do Paraná, a mesada remunerava uma intermediação de Janene junto à administração de Belinati, em favor das empresas de vigilância. Proprietários dessas empresas confessaram aos promotores que deram propina a Janene.

Em outra ação, Janene é denunciado por envolvimento num processo fraudulento de licitação, para favorecer a empresa Iasin. A empresa teria recebido irregularmente R$ 142 mil. Em troca, teria pagado comissão de R$ 25 mil ao deputado.

Ex-coordenador político de Janene, o advogado Eduardo Alonso de Oliveira aumenta a pressão. Ao Ministério Público, falou que Janene lhe oferecera US$ 200 mil em dinheiro, para não depor numa Comissão Especial de Inquérito. A comissão fora constituída para fazer investigações a partir da Câmara Municipal de Londrina.

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