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Cronologia da Crise:

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23/06/2005

Mais um revés para o governo Lula, virtualmente paralisado em decorrência da avalanche de denúncias de corrupção e em meio a um debate inócuo e sem fim em torno das sempre debatidas reformas ministerial e política. Agora, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, encaminha requerimento ao STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando a quebra de sigilo bancário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A medida se estende a algumas empresas das quais ele foi sócio. O motivo é uma suspeita de remessa ilegal de dinheiro para o exterior.

O processo corre em segredo de justiça. Por isso, não são divulgados nomes de bancos nem quantias envolvidas. As suspeitas sobre Meireles referem-se a transferências de dinheiro de empresas dele ao BankBoston, em 1999, sem o correspondente registro das operações na Receita Federal.

A publicitária Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), conversa com a repórter Angélica Santa Cruz, de O Estado de S. Paulo. Dá detalhes de como Valdemar costumava pagar as despesas, sempre em dinheiro vivo, inclusive quando comprava bilhetes aéreos de viagens internacionais:

– Teve uma época em que comecei a reclamar muito e ele passou a usar eventualmente um cartão. Mas ele mantinha um cofrão em nossa casa que parecia um armário. Tenho as notas fiscais desse cofre. Quando nos separamos, saí denunciando a existência dele. E o Valdemar mandou uma empresa ir lá retirar o cofre.

Maria Christina insinua que houve a “compra” de um pequeno partido político, o PST. A adesão do PST ao PL teria sido obtida com dinheiro vindo de uma agência de publicidade. A agência, por sua vez, teria um contrato com uma empresa estatal. Maria Christina não acrescenta maiores detalhes:

– Tenho provas de que ele usa verbas do PL em despesas pessoais. Ele tem dois carros em Moji que estão em nome do partido. Tenho cópias de cheques que passei para empresas que mobiliaram nossa casa e que saíram em nome do partido.

Em depoimento ao Ministério Público, o tesoureiro do PPS de São Paulo, Ruy Vicentini, fornece pistas sobre um esquema de entrega de dinheiro a vereadores paulistanos. Pagamentos regulares, do tipo mesada, teriam sido praxe em São Paulo em 2002, um ano antes do esquema do mensalão entrar em operação em Brasília.

De acordo com informações de Vicentini, os vereadores Raul Cortez e Roger Lin, os únicos da bancada do PPS na Câmara Municipal de São Paulo na época, receberam uma “contribuição mensal”. Em troca teriam votado conforme os interesses da prefeita Marta Suplicy (PT). Ele relata a insatisfação de Cortez, ao saber que outros dois vereadores iriam engordar a bancada do PPS:

– Ele disse: “Eu tenho uma contribuição mensal dada pelo PT e não vou dividir poder com quem quer que seja”. E, por isso, ele e o Lin saíram do partido.

O tesoureiro sabe mais: no final de 2004, os vereadores Edivaldo Estima e Myryam Athiê, ambos egressos do PP e novos no PPS, teriam recebido uma proposta do PT: R$ 250 mil para cada um, apenas para apoiarem o vereador Celso Jatene (PTB), que iria disputar a presidência da Câmara Municipal. O PT queria impor uma derrota ao novo prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB).

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