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Cronologia da Crise:

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24/06/2005

A cúpula da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) reúne-se com Lula em Brasília. Entrega uma carta ao presidente. Quer punição para todos os envolvidos em corrupção:

“O Brasil, uma vez mais, está desafiado a combater a corrupção política que se nutre da impunidade. Ela é acobertada pela conivência, que se torna cumplicidade, usando as estruturas do poder público em benefício de interesses privados.”

Outro trecho: “A apuração das recentes denúncias é imprescindível. Não pode ser esvaziada, sob qualquer pretexto. A corrupção consiste não apenas em delitos individuais, mas em práticas existentes em estruturas da sociedade, sobretudo no funcionamento do sistema político”.

Levantamento publicado pela revista Isto É escancara saques milionários de dinheiro vivo, em contas bancárias das agências de publicidade DNA e SMPB, de Marcos Valério. Só no período que vai de julho de 2003 a maio de 2005, R$ 20,9 milhões foram retirados do Banco Rural, em Belo Horizonte.

Os dados, em poder do Ministério Público, foram obtidos junto ao Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda) e dizem respeito apenas a saques com valores superiores a R$ 100 mil. O relatório registra retiradas de R$ 16,5 milhões da SMPB. Da DNA, outros R$ 4,4 milhões.

No total, segundo Isto É, houve 103 saques na boca do caixa, média de uma retirada por semana, sempre em valores acima de R$ 100 mil. As investigações identificaram que duas pessoas fizeram os saques. Uma delas, Geyza Dias dos Santos, da SMPB, já havia sido mencionada pela secretária Fernanda Karina. Reporta Isto É:

“Em janeiro de 2004, por exemplo, foram retirados R$ 2,8 milhões. Em setembro do mesmo ano foi retirado R$ 1,3 milhão. Em 2003 se deram os maiores saques nas contas das duas empresas: R$ 11 milhões, no total. Apenas entre setembro e outubro foram feitos 20 saques na seguinte seqüência: seis de R$ 250 mil, quatro de R$ 300 mil, três de R$ 100 mil, dois de R$ 200 mil, um de R$ 112 mil, um de R$ 350 mil, um de R$ 500 mil (o maior deles, no dia 10 de outubro) e um último de R$ 385 mil. Em 2003, os saques somaram R$ 11 milhões. No ano passado, as retiradas chegaram a R$ 10 milhões.”

Divulgado relatório da comissão de sindicância realizada no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil). Detalha operações suspeitas de irregularidades envolvendo o então presidente da estatal, Lídio Duarte, indicado para o cargo pelo PTB, e o diretor comercial, Luiz Eduardo Pereira de Lucena, da cota do PP no governo federal.

O documento indica um conluio entre os dois altos funcionários do IRB e outros executivos de estatais, como Furnas, Eletrobrás e Infraero, para favorecer de forma ilegal três corretoras de seguro: a Assurê, de Henrique Brandão, amigo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), e as empresas Cooper Gay, multinacional inglesa, e Alexander Forbes, de origem sul-africana.

A comissão de sindicância recomenda a abertura de processo criminal contra os dois dirigentes do IRB, por tráfico de influência. E ação cível, por improbidade administrativa. Conclui que concederam vantagens indevidas às três corretoras.

O relatório implica em irregularidades os diretores do IRB Luiz Appolônio Neto, sobrinho do deputado Delfim Netto (PP-SP), e Carlos Murilo Goulart Barbosa Lima, indicado para o cargo pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Edson Lobão (PFL-MA).

As corretoras citadas tiveram crescimento vertiginoso, graças a contratos de colocação de resseguros no exterior. Para a comissão de sindicância, os despachos que beneficiaram as corretoras eram “desprovidos de fundamentação”. O relatório cita o caso da empresa aérea TAM, cujo resseguro seria realizado pela corretora Alexander Forbes, indicada por Lídio Duarte e Luiz Pereira de Lucena, mas sem levar em conta recomendações da própria TAM. Os dois também teriam favorecido a Alexander Forbes em outra oportunidade, numa renovação de apólices do sistema Usiminas.

Outro problema: a despeito de parecer técnico contrário, Lucena teria favorecido a Cooper Gay na renovação de seguro da Petrobrás, contando com um “de acordo” de Duarte. Em mais um contrato da Petrobrás, novamente contrariando parecer técnico, Duarte teria operado de forma favorável à Cooper Gay ao contratar uma empresa. Para isso, escreveu um simples “a Cooper poderia ser testada neste tipo de negócio”.

A imprensa noticia contratos da Novadata, a empresa de Mauro Dutra, o Maurinho, amigo do presidente Lula há 20 anos. Ela realizou vendas para o governo federal, nos últimos dois anos, período que coincide com o mandato de Lula, em valores atualizados, no total de R$ 284,5 milhões.

O maior contrato, com a Caixa Econômica Federal, tem custo de R$ 109,6 milhões. Outros R$ 100 milhões, por sua vez, são resultado de contrato de locação de 27.500 computadores para a Petrobrás. As vendas para os Correios também são relevantes. Atingem R$ 16,2 milhões. O resto vem de contratos com órgãos da administração federal e dos poderes judiciário e legislativo.

O Ministério Público de Goiás anuncia que vai investigar a compra de uma fazenda em Buriti Alegre (GO). A propriedade está em nome de Antônio Soares de Castro, o pai do tesoureiro Delúbio Soares. A aquisição foi registrada pelo valor de R$ 147 mil, mas as terras são avaliadas em R$ 800 mil. Em depoimento a promotores, o pai de Delúbio admitiu que não tinha dinheiro para comprar as terras. Informou que outro filho dele, Carlos Rubens Soares, emprestou R$ 100 mil para o negócio. O Ministério Público apura ainda a compra de um carro Toyota Corolla, ano 2005, por Delúbio.

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