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Cronologia da Crise:

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4/06/2005

Mais um petardo contra o presidente do PTB. A revista Época estampa, na capa: “O laranja de Roberto Jefferson”. Conta a história do dono de uma pequena sorveteria de beira de estrada, em Cabo Frio (RJ). Foi motorista, segurança e funcionário de gabinete do deputado Jefferson (RJ).

Ex-camelô, Durval da Silva Monteiro enfrenta problema até para pagar a conta de luz da sorveteria. O pequeno estabelecimento tem 25 metros quadrados. Mas o sorveteiro “ganhou” duas emissoras de rádio de Jefferson, suspeito de ser o verdadeiro dono dos negócios. Uma das emissoras, a Rádio Matozinho FM, de Três Rios (RJ), em 20 anos nunca rendeu um real a Durval. Sobre a outra, em Paraíba do Sul (RJ), o sorveteiro não tem informações. Simplesmente desconhece. Não tinha a menor idéia de que era um dos donos do negócio. Foi informado pela revista. Trecho da entrevista publicada na Época traz a reação do sorveteiro:

– Rádio Clube Vale do Paraíba? Eu não sou sócio dela não. Isso aí é um troço novo para mim. Rádio Clube Vale do Paraíba... Vou lá buscar ela! Quero um pedaço dela já, já. Essa rádio eu até acho que era sócio dela também.

Veja descreve o desbaratamento de uma quadrilha. A organização cobrava propina para fazer vistas grossas à extração ilegal de madeira, em Mato Grosso. A reportagem de capa, “Amazônia à venda”, traz foto da prisão do gerente do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em Mato Grosso. Hugo Werle aparece algemado. O deputado Carlos Augusto Abicalil (PT-MT) o indicara para o cargo. Werle é conselheiro fiscal do PT e atuou como arrecadador de dinheiro na campanha eleitoral pela Prefeitura de Cuiabá, em 2004. É acusado de enriquecimento ilícito.

Werle foi preso com outros dois militantes do PT, ambos gerentes do Ibama. Marcos César Antoniassi, de Juara (MT), e Ana Lúcia da Riva, de Sinop (MT). O primeiro preside o diretório do PT de Novo Horizonte do Norte (MT). É acusado de emitir laudos falsos de vistoria e de atestar a existência de madeireiras-fantasmas. Ana Lúcia de Riva, por sua vez, é casada com o presidente do diretório do PT em Alta Floresta (MT).

A Polícia Federal calculou que a madeira derrubada ilegalmente pela quadrilha seria suficiente para carregar 66 mil caminhões em dois anos. Uma devastação. Entre outros expedientes, os funcionários do Ibama vendiam autorizações para o transporte de “produtos florestais” e facilitavam a falsificação de documentos. Veja reproduz um diálogo telefônico interceptado pela Polícia Federal. Nele, dois madeireiros, acusados de pertencer à quadrilha, defendem a manutenção de Werle no Ibama. Para tanto, resolvem prestigiar um jantar político do PT em Cuiabá:

– Mandaram um convite pra mim aqui, pra uma janta do José Dirceu.

– Ah, o Zé Dirceu vai vir aí?

– Vai, amanhã.

– Ah, mas o Zé Dirceu é mala...

– Tem que pagar o convite, adivinha o preço do convite...

– R$ 100.

– R$ 500. Mas é brabo, é porque é eleição do cara, entendeu? E aqui, e se o cara não ganhar, é perigoso o Hugo sair.

– Não, não. Então tem que deixar ele aí.

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