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Cronologia da Crise:

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7/06/2005

Acuado, Lula muda novamente de estratégia. Ordena ao PT que apóie a CPI dos Correios e, mais do que isso, se some à iniciativa de criar a CPI do Mensalão. O governo não diz, mas analisa que uma segunda comissão acabará tirando o foco da primeira. Supõe que os trabalhos ficarão dispersos e o processo como um todo confundirá a opinião pública. Em sua ofensiva, Lula determina a demissão de diretores do IRB, dos Correios e solicita ao PT o afastamento do tesoureiro Delúbio Soares.

Contrariado, José Genoino, o presidente do PT, trata de defender o que chama de “patrimônio ético” do partido. E garante que o assunto mensalão jamais circulou dentro do PT:

– O que aconteceu com o Delúbio? Uma denúncia falsa e mentirosa.

O secretário-geral do partido, Silvio Pereira, o Silvinho, também na ofensiva, descarta uma investigação interna do PT sobre as atividades de Delúbio:

– Não há necessidade. Não há nada contra ele.

Na mesma linha, Paulo Ferreira, secretário de Relações Internacionais do PT:

– Delúbio é quadro de confiança do partido e seu afastamento não está em pauta.

O tesoureiro permanece recluso, protegido da imprensa. No final do dia, deixa a sede do PT apressado, mais uma vez. Agora, abaixado, no banco de trás de um carro, com vidros escuros. Outro veículo, para despistar, deixara o local pouco antes, pretendendo confundir os jornalistas.

Declaração da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), ex-petista, para quem o governo Lula entregou a máquina pública “para ser parasitada por delinqüentes de luxo”:

– Tenho absoluta convicção de que ninguém da cúpula palaciana do PT age isoladamente na montagem dos crimes contra a administração pública. Se Delúbio, Waldomiro e outros, entre aspas, quadros partidários agiam, é porque havia autorização e leniência do presidente Lula. Pelo que eu conheço do PT, não existe atuação individual.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revela uma crise na Petrobrás, decorrente de nomeações políticas. A proliferação de empresas de “papel”, voltadas ao transporte de gás natural, serve de fato para abrigar apaniguados políticos, nomeados com objetivo de acomodar situações e dar governabilidade à administração federal.

Segundo o jornal, o expediente gerou uma crise na Gaspetro, subsidiária da Petrobrás, e a demissão do diretor João Eudes Touma. Ele entregou uma carta justificando sua saída: houve contratações indevidas de pessoal para empresas que, a princípio, seriam virtuais. Uma delas, a Transportadora Nordeste Sudeste, recebeu, em cinco meses, R$ 722 mil, apenas para pagar salários.

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