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Cronologia da Crise:

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8/06/2005

O tesoureiro Delúbio Soares, com um broche do PT no peito, concede entrevista. Fala a um batalhão de jornalistas. Não convence. Apesar de orientado por advogados e pela cúpula do PT, Delúbio é patético. Nervoso, usa frases de efeito, vazias, evasivas, e não responde a parte das perguntas. Por fim é salvo pelo presidente do partido, José Genoino, que encerra a entrevista. Antes, os repórteres já haviam sido impedidos de retrucar e questionar as respostas do tesoureiro.

Delúbio é um dos três dirigentes do PT que usam carro blindado. Além dele, o privilégio cabe ao ministro José Dirceu e ao presidente Lula. Durante a entrevista, repete seis vezes que o PT “não compra votos nem apoio” de deputados. Utiliza variações do termo “chantagem” 15 vezes. Uma das falas, sempre confusas:

– Nós não aceitamos chantagem. Não me prejulguem pela versão de uma chantagem porque o Brasil é maior do que essas acusações. Estou muito indignado. Estão tentando chantagear não só o PT, mas também o governo e também o Congresso. O PT não se rende e não se vende.

Perguntado sobre suas idas ao Palácio do Planalto, sede do governo federal, apesar de não ter cargo público, o tesoureiro diz: “Lá estive várias vezes, para tratar dos assuntos de interesse do PT. É isso que aconteceu”. A respeito da entrega de dinheiro a partidos da base aliada:

– O PT participou, no ano passado, de campanha eleitoral. Os acordos eleitorais foram tratados entre os partidos. O PT e os partidos da base aliada fizeram acordos que foram traduzidos em apoio aos candidatos nos municípios. Isso foi feito em comum acordo entre os partidos.

Acerca da ligação com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), cujo partido, da base aliada, foi citado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos beneficiários do mensalão, Delúbio responde:

– Não tenho nenhuma restrição, o presidente do PL tem sido uma pessoa correta. Não tenho nenhum problema de encontrar o presidente do PL, seja na minha casa, seja no escritório do PT, seja na sede do PT ou em Mogi das Cruzes, onde fui visitá-lo, em apoio ao candidato do PL naquela cidade.

A Polícia Federal investiga denúncias de extorsão praticadas por Maurício Marinho, nos Correios. Um dos dez empresários que prestaram depoimento, Haroldo Cláudio, dono de uma empresa de calçados, disse que recebeu proposta para pagar R$ 350 mil de propina. Se desse o dinheiro, ganharia licitações na estatal. Segundo o empresário, Marinho disse que o dinheiro iria para o PTB.

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