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Cronologia da Crise:

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9/06/2005

O Congresso instala a CPI dos Correios. O deputado Sandro Mabel (PL-GO) nega ter proposto à deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) para que deixasse o partido de oposição e ingressasse na base aliada do governo, em troca de uma mesada de R$ 30 mil e um bônus de R$ 1 milhão, no final do ano. Dois parlamentares apontam Mabel como o autor do assédio à deputada. O caso foi relatado pelo governador Marconi Perillo (PSDB) a Lula.

Mabel admite ter conversado com Raquel, mas nega que ofereceu dinheiro. E envolve o vice-presidente da República, José Alencar (PL-MG):

– A deputada uma vez me procurou e disse: “Sandro, estou querendo ter mais espaço”. Até havia uma assessora dela. Eu falei: “Raquel, o PL está sempre de portas abertas”. José Alencar já tinha falado isso para ela. Estamos precisando de mulher. Agora, financeiro? Recusamos 15 parlamentares em um ano, vamos dar recursos financeiros para quê? Em primeiro lugar, não temos nem recursos.

De acordo com Mabel, a deputada acabou decidindo não sair do PSDB, depois de conversar com a própria base política. Diz Mabel:

– Ela só queria entender o processo, porque estava meio chateada com não sei o quê. Foi conversa de corredor.

A repórter Sheila D’Amorim, de O Estado de S. Paulo, questiona Mabel. Diz que o governador de Goiás mencionara dois deputados assediados, sendo que Raquel confirmara uma abordagem. Reação do deputado:

– Mas foi abordada com dinheiro? Então não foi comigo que ela conversou. É simples. É só chamar a Raquel ou quem quer que seja. A nossa posição é clara nesse assunto. Aqui recusamos parlamentares. Para que iríamos pagar parlamentar para vir?

Dirigindo-se à repórter, com ironia, Mabel insinua que deseja saber que partido paga parlamentares, para que mudem de legenda:

– Vou fazer uma proposta para você. Quando você descobrir, me conta porque aí vou para esse partido também.

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