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Cronologia da Crise:

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11/07/2005

O Jornal Nacional, da TV Globo, leva ao ar uma conversa telefônica gravada pela Polícia Federal. Foi feita em agosto de 2004, quase dez meses antes de estourar o escândalo do mensalão. A fala é de Maria Auxiliadora de Vasconcellos, uma auditora fiscal do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ela foi presa sob a acusação de integrar uma quadrilha de fraudadores.

Na conversa com outra auditora, Maria Auxiliadora insinua que o então ministro José Dirceu (PT-SP) e o ex-tesoureiro Delúbio Soares recebiam uma “mensalidade” da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). Em troca da propina, haveria um relaxamento na fiscalização de empresas fluminenses. No diálogo gravado, Maria Auxiliadora cita o ex-ministro da Previdência do governo Lula, Amir Lando (PMDB-RO):

– Chegou às mãos do Almir Lando. Aí foi que ele disse: “Olha, na realidade, o que acontece é o seguinte: eu, no Rio de Janeiro, não vou mexer, porque eu me comprometi a não mexer. O Rio tem um contrato com a Firjan.” Ele mesmo abriu o jogo. “A Firjan dá uma mensalidade, dá não sei o quê, e quem vai buscar é o Delúbio de Souza, sei lá, Soares, para as empresas não serem fiscalizadas”.

– O Amir Lando é uma pessoa maravilhosa, é uma pessoa acessível, e ele foi muito claro ao dizer: “No Rio de Janeiro, eu realmente não vou mexer porque eu tenho compromisso com o José Dirceu”.

O Ministério Público tem três testemunhas do suposto esquema de pagamento de propina para autoridades do governo federal, por parte da Firjan. Os auditores receberiam ordens para não multar determinadas empresas. Em um caso investigado, houve pressão para anular uma multa. Posteriormente, o empresário que tinha sido autuado obteve o cancelamento da multa, por interferência política.

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