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Cronologia da Crise:

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12/07/2005

Caem os ministros Luiz Gushiken e Romero Jucá (PMDB-RR), acusado de desviar dinheiro de um abatedouro de frangos. Gushiken, integrante do chamado “núcleo duro” de Lula, assegura um cargo na assessoria do presidente. Vai cuidar de um núcleo de assuntos estratégicos. A Secretaria de Comunicação e a propaganda do Palácio do Planalto ficam subordinadas, a princípio, à nova ministra da Casa Civil, Dima Rousseff.

Antes de embarcar para uma viagem à França, Lula aproveita reunião ministerial para repelir denúncias de favorecimento político à Gamecorp, de Fábio Luiz Lula da Silva. O presidente está nervoso:

– Estão querendo mexer na minha vida privada. Isso é uma baixaria, um golpe baixo, um desrespeito. Isso é irracional.

O publicitário André Gustavo Vieira da Silva admite: Delúbio Soares foi padrinho do casamento dele, em agosto de 2003. Silva é um dos donos da agência Arcos, contratada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os gastos de publicidade do banco estatal subiram, de 2003 para 2004, de R$ 8,2 milhões para R$ 30 milhões.

Silva salienta, porém, que Delúbio não é um amigo. O convite para ser padrinho de casamento fez parte de uma estratégia para dar visibilidade à Arcos. Deu certo. Declaração à Folha de S.Paulo:

– Amigo, amigo, ele não é. Ele é uma pessoa conhecida. Amigo é aquele que freqüenta a sua casa.

Em depoimento à CPI dos Correios, Eduardo Medeiros, o diretor de Tecnologia dos Correios, nomeado por influência de Silvio Pereira, garante: não sabe nada sobre cobrança de propina por parte de funcionários da estatal, cuja presidência e seis diretorias, reconhece, estavam loteadas entre PMDB, PTB e PT.

Medeiros admite, no entanto, ter tomado conhecimento em duas ou três ocasiões do vazamento de informações acerca de especificações técnicas de licitações dos Correios. Era “comum”, segundo ele, a visita de deputados aos Correios, acompanhados de empresários interessados em negócios com a estatal:

– A maioria era do PMDB, naturalmente, porque o ministro, o presidente e três diretorias eram do PMDB.

Durante o depoimento, surge o caso do empresário Vilmar Martins, da Metalúrgica Gadotti Martins Carrinhos Industriais. Ele denunciou uma licitação dirigida e a cobrança de propina no valor de 20% do valor da nota fiscal, que deveria ser paga em dólares, sendo a metade nas mãos do próprio Medeiros. A chantagem: se o dinheiro não fosse pago, os Correios não receberiam a mercadoria. Se não recebesse, não haveria pagamento. Depois de negar conhecer o empresário, Medeiros, pressionado, confessa ter conversado com Martins, “dois ou três dias” atrás.

Em outro depoimento à CPI dos Correios, Antônio Osório, o ex-diretor de Administração dos Correios, acusa o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Ele teria pedido dinheiro a diretores da estatal indicados pelo PTB. Queria recursos para o caixa de campanha do partido, que deveria ser fornecido por empresários que mantinham contratos com os Correios. Osório se reuniu com Jefferson em mais de 50 ocasiões.

A CGU (Controladoria-Geral da União) divulga relatório preliminar. Apurou 18 irregularidades, em 69 contratos e licitações dos Correios. Um total de R$ 37,5 milhões em sobrepreços. Prejuízo potencial: R$ 79 milhões.

O jornal O Globo revela: Michelle Janene, filha do deputado José Janene (PP-PR), foi estagiária da corretora Bônus-Banval, autora de saque de R$ 255 mil em conta bancária da DNA Propaganda, de Marcos Valério. A corretora nega qualquer ligação com Janene. Ele, por sua vez, nega vínculo com a Bônus-Benval.

A Polícia Federal faz operações sigilosas de busca e apreensão de documentos nas instalações do Banco Rural em Lagoa Santa (MG) e no Brasília Shopping. Quer comprovar o que disse José Francisco de Almeida Rego, ex-tesoureiro do banco. Ele contou como a SMPB remetia dinheiro de Minas Gerais para Brasília.

Segundo ele, os saques se tornaram freqüentes desde o início de 2003, e as retiradas chegaram a ultrapassar R$ 200 mil por operação realizada. O ex-tesoureiro recebia ligações da tesouraria da agência Assembléia do Banco Rural, em Belo Horizonte, onde a SMPB mantinha conta. Eram solicitações para pagamentos em Brasília. Um fax mencionava os valores e os nomes dos sacadores.

Era responsabilidade do ex-tesoureiro cuidar da liberação de recursos junto ao Banco Central, e dos detalhes para a entrega. O dinheiro, para não fazer volume, só vinha em notas de R$ 50 e R$ 100. Era levado para uma sala especial da agência. Lá, as cédulas eram colocadas em bolsas que os próprios sacadores traziam. Era gente apressada que ia embora, em geral, sem conferir os valores.

O ex-tesoureiro do Banco Rural relata que Simone Vasconcelos, representante da SMPB em Belo Horizonte, fazia retiradas na agência do Brasília Shopping. Mas não levava o dinheiro com ela. Assinava recibos e listava os nomes daqueles que passariam depois para receber. Na maioria das vezes, eram pacotes de R$ 50 mil ou R$ 100 mil. As pessoas, por determinação dela, não precisavam se identificar. A Polícia Federal confirma que localizou documentos comprovando saques em nome da SMPB na agência em Brasília, mas estranhou a falta de identificação dos sacadores.

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