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Cronologia da Crise:

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13/07/2005

Mais uma versão para o caso do petista preso com R$ 200 mil numa maleta e US$ 100 mil na cueca. No início, José Adalberto Vieira da Silva alegou que era agricultor e o dinheiro, resultado da venda de verduras. Agora, o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), o chefe de Vieira da Silva, envolve um outro assessor de seu gabinete, José Vicente Ferreira. Os dois iriam usar o dinheiro para abrir uma locadora de veículos em Aracati (CE), em sociedade com um terceiro petista, Kennedy Moura Ramos. Diz o deputado:

– Isso comprova que eu não tenho nada a ver com esse caso, nem o PT e muito menos o ex-presidente nacional do partido.

Guimarães afirma que tudo foi uma “armação” contra o PT. Manifesta-se “decepcionado” e “traído” pelo assessor preso. A primeira pessoa que Vieira da Silva avisou ao ser detido foi Kennedy Moura. Ele é assessor especial da presidência do BNB (Banco do Nordeste do Brasil). O presidente, Roberto Smith, também pertence às fileiras do PT. Da mesma forma que Kennedy Moura, assumiu o cargo por suas ligações com Guimarães.

Amigo de Guimarães, Moura foi seu assessor jurídico. A presidente do PT do Ceará, Sônia Braga, é ex-mulher dele. Moura é responsável pelas finanças do PT no Ceará. Foi ele quem avisou Guimarães da prisão do assessor. Moura pede exoneração dos quadros do BNB.

Em depoimento à CPI dos Bingos, o empresário de jogos Carlos Augusto Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira, ataca Waldomiro Diniz. Segundo ele, o ex-subchefe da Casa Civil e assessor direto do ex-ministro José Dirceu (PT-SP) pediu propina de R$ 100 mil a R$ 300 mil, em troca de favorecimento em licitação. Na época, Waldomiro presidia a Loterj, a estatal que administra loterias no Rio. Waldomiro teria dito que o dinheiro era para financiar campanhas eleitorais. Para Carlinhos Cachoeira, Waldomiro agia sozinho:

– Em todas as conversas, no final, era pedida propina. O Waldomiro dizia: “Quero 1% do contrato bruto”. Ele sempre pedia dinheiro para campanha. Hoje, tenho certeza de que esse dinheiro ficava com ele.

Valdirene Dardin, ex-secretária de Finanças do prefeito de Mauá (SP), Oswaldo Dias (PT), acusa o PT. Segundo ela, houve saque irregular de R$ 230 mil em conta bancária da Prefeitura. Valdirene alega “práticas abomináveis” e “enjoantes”, com a finalidade de incriminá-la pelo desaparecimento do dinheiro público.

Ela concede entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo Valdirene, não havia em Mauá a prática de se exigir duas assinaturas para liberar recursos municipais. Só a assinatura dela já era suficiente. A ex-secretária diz que desconhece o destino do dinheiro da Prefeitura, sacado por ordem do PT. Eis a definição dela sobre a gestão de Oswaldo Dias, de 2001 a 2004:

– O escândalo do mensalão e o da cueca milionária parecerão mero conto de fadas aos olhos da opinião pública.

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