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Cronologia da Crise:

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2/07/2005

A revista Veja traz detalhes de uma “sociedade secreta” entre Marcos Valério e o PT. A reportagem de Alexandre Oltramari conta a história do empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG ao PT. A operação foi avalizada por José Genoino, Delúbio Soares e Valério. O empréstimo, de fevereiro de 2003, não foi pago pelo PT. O partido acabou socorrido por Valério. O empresário pagou uma das parcelas da dívida, no valor de R$ 350 mil.

De posse dos documentos que comprovam a transação, Veja pergunta ao presidente do PT. Valério assinou aval para o partido? Com a palavra, Genoino:

– Não sei de nada disso, não. Eu tenho de me informar. Acabei de descer do avião... Acho que não tem isso. Vou me informar. Me liga em uma hora.

Uma hora depois, na sede do PT em São Paulo:

– Olha, não tem isso, não. O que temos com o Marcos Valério são dívidas de campanha de políticos que ele fez para a gente como publicitário.

– Ele nunca foi avalista do PT em alguma operação bancária?

– Nunca. Ele nunca foi avalista do PT. Não tem isso, não.

Para Veja, uma “transação comprometedora”. Afinal, as agências de publicidade de Valério dispõem de contratos com o governo federal avaliados em R$ 144,4 milhões. Da reportagem:

“Isso mostra a existência de um ciclo conhecidíssimo, mas que raramente se consegue trazer à luz com tanta nitidez como agora: o dinheiro sai dos cofres públicos, faz uma escala na conta da agência de publicidade e acaba aterrissando no caixa do PT.”

Para entender melhor:

“No início do ano passado, a empresa de participações de Valério, a Graffiti, que controla a agência de publicidade DNA, contraiu um empréstimo de mais de R$ 15 milhões e deu como garantia a receita de um contrato publicitário que, pouco antes, fora firmado entre a SMPB e os Correios.”

O repórter quis ouvir Valério. Ele havia negado em entrevista anterior que dera aval ao PT. Quem fala, porém, é o advogado e sócio, Rogério Tolentino:

– Por orientação dos advogados, ele não vai fazer nenhuma afirmação que possa conflitar com a defesa. Por isso, ele não pode confirmar, desmentir nem dar nenhum esclarecimento.

Veja também procurou a direção do BMG, para saber por que o banco não executou as garantias do empréstimo. Afinal, a operação não fora quitada pelo PT. A explicação, em nota:

“A direção do BMG não pode comentar as informações levantadas pela revista em respeito à lei do sigilo bancário.”

As investigações avançam. Marcos Valério está no olho do furacão. Existem coincidências entre saques de dinheiro no Banco Rural e o troca-troca partidário. O dinheiro saia do Banco Rural, os deputados saiam da oposição. Ingressavam na base aliada do governo Lula, em quatro partidos: PTB, PL, PP e o próprio PT.

Dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda) indicam retiradas de R$ 6,4 milhões, entre agosto e outubro de 2003. Foi um período de grande migração partidária. As bancadas dos quatro partidos governistas ganharam 16 deputados. O crescimento da base aliada prosseguiu. No final, no PL a bancada subiu de 26 para 52 parlamentares. No PTB, de 26 para 47. No PP, de 49 para 55.

O fenômeno também ocorreu nos Estados. Mato Grosso é um bom exemplo. O deputado Pedro Henry (PP-MT), um dos líderes da base do governo Lula, conquistou quatro deputados estaduais, 12 prefeitos e 100 vereadores para o PP.

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