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Cronologia da Crise:

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24/07/2005

O instituto DataFolha divulga pesquisa. 78% da população acreditam existir corrupção no governo Lula. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o respeitável senador Jefferson Péres (PDT-AM) diz estar convencido de que o presidente sabia de todo o esquema de corrupção. Foi poupado apenas dos detalhes. Péres acredita nos pagamentos:

– Talvez não na forma de uma mesada, mas acho que eram pagamentos pontuais. Sempre que precisavam, os parlamentares subornados, para aderir ou permanecer no governo, recorriam ao caixa 2 do Delúbio. Pouco importa que tenha sido mensal, semestral ou esporádico. Configura suborno, corrupção.

A Folha traz o editorial “A Lavabrás”. Trata da lavanderia “de dinheiro escuso destinado a alimentar campanhas, partidos e políticos”:

“A documentação que vai chegando às mãos da CPI e as revelações trazidas pela imprensa começam a completar, pouco a pouco, o quebra-cabeça do esquema de movimentação irregular de dinheiro por intermédio das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Ao que tudo indica, o país está diante de uma grande operação de captação de recursos de caixa 2 e lavagem de dinheiro pela qual o empresário vinha abastecendo o Partido dos Trabalhadores e os políticos por ele indicados.”

O editorial prossegue: “Os fatos apurados já reduziram a pó a fantasiosa versão de que as empresas de Valério apenas ofereceram uma providencial ajuda à legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrava em dificuldades para saldar compromissos de campanha e se viu forçada a operar com dinheiro ‘não contabilizado’”. E mais:

“São cada vez mais enfáticos os sinais de que o publicitário conta com uma rede de empresas utilizada para intermediar doações clandestinas e procurar ‘esquentá-las’. Não se sabe ainda a dimensão do fundo que se acumulou, mas os indícios são de que parte considerável da arrecadação se encontra no exterior.”

O jornal O Estado de S. Paulo revela bastidores do “esquema megalomaníaco” montado pelo PT. Descreve como o tesoureiro Delúbio Soares “terceirizou” a Secretaria de Finanças do partido, repassando atribuições a Marcos Valério. Para a repórter Vera Rosa, o “gabinete de crise” do PT estima em R$ 160 milhões as dívidas do partido, acumuladas em dois anos e meio de governo Lula.

A reportagem menciona gastos milionários em aluguel de jatinhos e helicópteros, para transportar dirigentes partidários. Durante as viagens, hospedagens em suítes de hotéis de luxo:

“Enquanto isso, as empresas de Marcos Valério, dono das agências SMPB e DNA, amealhavam contratos e negócios no governo, principalmente em estatais, como Correios, Banco do Brasil e Eletronorte. Para agradar aos petistas, vez por outra o publicitário financiava festas de embalo, que contavam com participação de dirigentes da legenda, deputados e até funcionários do Banco do Brasil.”

Declaração do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP):

– É muito curioso que empréstimos vultosos do Banco Rural, BMG e Banco do Brasil tenham sido dados sem nenhum tipo de garantia, só por relação de amizade.

Segundo a experiente repórter, José Dirceu (PT-SP) “sempre foi visto como o homem que dava as cartas no partido mesmo à distância, durante a gestão de Genoino”. E mais:

“Sempre em dobradinha com Valério, um seleto grupo de petistas distribuía dinheiro conforme suas conveniências e mantinha operadores próprios em Estados e municípios. Candidatos amigos ou que serviam para alavancar projetos políticos futuros ganhavam mundos e fundos. Os outros recebiam o que se convencionou chamar no PT de ‘ração’: pacote básico ‘estrela’, com material institucional.”

Ainda em O Estado: fundos de pensão de empresas estatais aplicaram, durante o governo Lula, R$ 600 milhões. Os principais beneficiários, apenas três bancos. Dois deles estão no centro da crise: BMG e Banco Rural. O outro, o Banco Santos.

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