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Cronologia da Crise:

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25/07/2005

Equipe de reportagem da TV Globo flagra Delúbio Soares ao deixar seu apartamento nos Jardins, em São Paulo. Está no automóvel Marea HLX, com acessórios e blindagem, comprado pelo PT por R$ 104 mil. Faz quase três semanas que o tesoureiro supostamente está desligado do partido, embora o salário, de R$ 12 mil, continue sendo pago pelo partido.

Depois do flagrante, o novo tesoureiro, deputado José Pimentel (PT-CE), apressa-se em recolher o carro blindado e a anunciar a venda do veículo. Delúbio e Silvio Pereira, o Silvinho, são clientes dos advogados Arnaldo Malheiros e Celso Vilorde, dois dos mais prestigiados criminalistas do país, com serviços advocatícios cotados em R$ 2 milhões. As novas lideranças do PT garantem que o partido não pagará mais advogado para ex-dirigente. Não é bem assim.

O deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) admite o recebimento de R$ 102 mil do valerioduto. O dinheiro veio da conta da SMPB no Banco Rural, em 31 de agosto de 2004. Queiroz assegura: o repasse não ficou com ele, foi transferido para candidatos do interior de Minas Gerais, do PTB e do PT. O deputado não fornece nomes.

Mais um beneficiário do caixa 2 do PT. É o secretário de Finanças do PT de Minas Gerais, Carlos Magno Ribeiro Costa. Ele recebeu R$ 90 mil. Em férias, não é localizado para dar explicações.

A CPI dos Correios identifica novos depósitos milionários. A corretora Bônus-Banval fora relacionada ao deputado José Janene (PP-PR). Num primeiro momento apareceram saques efetuados no Banco Rural, num total de R$ 305 mil, destinados a pessoas ligadas à empresa. Agora a coisa ficou mais séria. A Bônus-Banval recebeu R$ 2,9 milhões da empresa 2S, de Valério, por meio de sete transferências eletrônicas feitas no Banco do Brasil.

Surgem também depósitos suspeitos de R$ 6 milhões na conta da Garanhuns Empreendimentos, Intermediações e Participações. São transferências por meio de cheques do Banco Rural. Garanhuns (PE), a propósito, é a cidade de nascimento de Lula. No endereço registrado da empresa, em Santana do Parnaíba (SP), um terreno baldio, usado como campinho de futebol.

Jorge Moura, ex-presidente da Refer, o fundo de pensão dos ferroviários, acusa: Marcelo Sereno, homem de confiança de José Dirceu (PT-SP), tentou influenciar um investimento de R$ 1,4 bilhão da Refer. Para Moura, Sereno tentou direcionar as aplicações do fundo de pensão para os bancos Rural, BMG, Santos e Pactual.

Ele denuncia outras pressões, vindas do deputado Carlos Santana (PT-RJ). A mulher dele, Tânia Santana, ocupava cargo na diretoria da Refer. Do esquema participariam Cristina Montemor, a presidente do conselho deliberativo da Refer, ligada a Santana, e Juarez Barroso, integrante do PT e secretário de Administração da Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ).

O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) defende a quebra de sigilos dos fundos de pensão. Quer provar que não existiram empréstimos dos bancos Rural e BMG para o PT:

– Não tem empréstimo, o que houve foi um ajuste contábil para maquiar a entrada do dinheiro nos cofres do partido.

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