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Cronologia da Crise:

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26/07/2005

Depoimento à CPI dos Correios. É de Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, mulher de Marcos Valério, sócia das agências de publicidade DNA e SMPB. Ponto alto do que diz: o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) participou das negociações que culminaram nos dois empréstimos concedidos pelos bancos Rural e BMG ao PT, operações avalizadas por Valério.

Renilda Maria dá detalhes: Dirceu viajou a Belo Horizonte no fim de 2004, para se reunir com dirigentes do Banco Rural e discutir empréstimos para o PT. O encontro foi no Hotel Ouro Minas. Segundo ela, o ex-ministro também esteve com diretores do BMG em Brasília. Numa tacada, Valério espeta Dirceu e ainda sustenta a tese da conveniência, a dos empréstimos para rechear os cofres do caixa 2 do PT.

Por meio de nota, Dirceu não foge. Manteve encontros com executivos dos dois bancos, mas nega ter tratado de empréstimos ao PT. De acordo com a assessoria, a conversa com diretores do BMG, no Palácio do Planalto, tratou da conjuntura econômica.

A agenda do Ministério da Casa Civil informa, ainda, que houve uma terceira reunião, em agosto de 2003, em Brasília, com Kátia Rabelo, a presidente do Banco Rural. Durante os 30 meses em que permaneceu à frente da Casa Civil, Dirceu manteve encontros com dirigentes de quatro bancos: Rural, BMG, Bradesco e Citibank.

Da jornalista Dora Kramer, em O Estado de S. Paulo:

“Está bem que José Dirceu não tenha falado com as diretorias dos bancos Rural e BMG sobre os empréstimos ao PT e, como alega o Rural, tenha se reunido com eles para discutir a liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. Desde quando é normal um ministro da Casa Civil fazer reuniões em hotéis para tratar com diretores de bancos da liquidação de instituições financeiras? A emenda parece pior que o soneto.”

Não foi só o jipe Land Rover de Silvio Pereira. A GDK, contratada da Petrobrás, também emprega Mônica Wagner, filha do novo ministro das Relações Institucionais de Lula, Jaques Wagner (PT-BA). Ela trabalha na empresa desde maio de 2004. Na época, o pai comandava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, nomeado por Lula. Em 2002, a GDK doou R$ 225 mil para a campanha do PT na Bahia. Wagner era o candidato a governador.

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