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Cronologia da Crise:

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27/07/2005

A CPI dos Correios aprova pedido de prisão preventiva para Marcos Valério. A decisão ocorre duas semanas após a descoberta das notas e documentos da DNA, queimados em Minas. A justificativa para a prisão é o risco de Valério destruir provas que possam contribuir para a elucidação do escândalo.

O PL consultou o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE). Nos bastidores, a idéia de retirar a representação que pediu a abertura do processo de cassação de Roberto Jefferson (PTB-RJ). É a primeira tentativa de acordão. Teme-se uma cassação em massa de deputados.

Em troca, o PTB desistiria de pedir processos contra cinco deputados do PL. O repórter Ranier Bragon, da Folha de S.Paulo, questiona o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO). Mabel quer saber de Jefferson:

– Se ele voltar atrás, nossa representação perdeu o efeito, aí nós não temos problema nenhum. O que nós temos de limpar é essa história de mensalão, nunca existiu isso. Se ele falar: “Ó, o mensalão eu não provei, mas provei que existiu dinheiro de campanha etc”, aí é outro departamento. Agora essa história de tirar para fazer acordo... Acordo de quê?

Segundo Mabel, Jefferson é o interessado no acordo. Deseja ser governador do Rio e por isso tenta evitar a cassação. A manobra se frustra porque vem a público. Diz Jefferson:

– Não negocio com vagabundos.

Apesar das negativas, José Nilson dos Santos é mesmo o assessor do deputado Professor Luizinho (PT-SP), ex-líder do governo Lula na Câmara. Sacou R$ 20 mil em dinheiro, de conta bancária da SMPB de Marcos Valério. Foi em 23 de dezembro de 2003, no Banco Rural. Deixou o número do RG na agência. Reação do Professor Luizinho:

– Alguém está montando documentação falsa. Vou processar todos.

Em Santo André (SP), o assessor confirma o número do RG, mas alega estar surpreso:

– Não sei o que aconteceu. Nunca entrei em uma agência do Banco Rural. Nem aqui nem em Brasília.

José Nilson dos Santos está na lista das 11 pessoas indicadas pelo PT a Valério. Todas autorizadas a fazer saques de dinheiro, diretamente do caixa 2 do partido. Já faz sete anos que o assessor trabalha com Luizinho.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), envia ofício ao Conselho de Ética da Câmara. Confirma que alertou Lula sobre o esquema de pagamentos a parlamentares, em 5 de maio de 2004. Diz o documento:

“Relatei ao senhor presidente que ouvira rumores sobre a existência de mesada a parlamentares em conversas informais em Brasília, porém sem provas concretas. Repeti o inteiro teor das informações que havia recebido. O senhor presidente disse que não tinha conhecimento e que ia tomar as providências que o assunto requeria. Não sei quais foram as providências tomadas.”

Perillo aponta duas testemunhas da conversa, que estavam dentro do carro. O motorista e o chefe da segurança do presidente. Nunca foram chamados pela CPI dos Correios, jamais depuseram.

Mais uma mala, com R$ 200 mil em dinheiro, nas mãos de um integrante do PT. O líder do partido na Câmara Municipal de Vitória da Conquista (BA), vereador Alexandre Pereira, não fala sobre o assunto. Ele foi procurado pelo repórter Biaggio Talento, do jornal O Estado de S. Paulo, que procurava detalhes sobre o que ocorrera com Geraldo Reis, membro do diretório do PT da Bahia Reis tem ligações com o deputado Guilherme Menezes (PT-BA). Em 12 de julho de 2005, foi assaltado quando transportava a tal mala, numa viagem de ônibus entre Salvador a Vitória da Conquista. Ficou de mãos vazias. De acordo com o relato de passageiros do ônibus, até os assaltantes ficaram surpresos com a quantidade de dinheiro. Reis não faz comentários.

Para Pereira, agora, não eram R$ 200 mil, mas R$ 20 mil. E dinheiro para pagar os advogados do prefeito de Vitória da Conquista, José Raimundo Fontes (PT). O assalto da mala não teve registro na polícia. Não foi pedida investigação.

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