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Cronologia da Crise:

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30/07/2005

Um documento do Banco Rural autoriza Roberto Marques, o Bob, amigo e uma espécie de ajudante-de-ordens do deputado José Dirceu (PT-SP), a sacar R$ 50 mil. O dinheiro, da SMPB. A matéria está na revista Veja. A prova, um fax, veio em papel timbrado do Rural, endereçado à agência da avenida Paulista, em São Paulo, em 15 de junho de 2004. Bob trabalha na Assembléia Legislativa de São Paulo, nas proximidades da agência da Paulista.

O saque vivo dos R$ 50 mil foi no dia seguinte. Mas quem fez foi um certo Luiz Carlos Manzano, sob suspeição de trabalhar como contador na Bônus-Banval. A corretora teria dado um emprego a Michele Janene, filha do deputado José Janene (PP-PR). Dirceu e Bob negam, não sabem nada sobre o saque de R$ 50 mil. A revista:

“A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a Veja na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil (PT-MT). Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural. Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI. O resultado da pesquisa, nas palavras do deputado, foi o seguinte: ‘O número do RG conferia. Só não conferia o saque’, diz.”

Nas páginas dos jornais: Lula tomou café da manhã com o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), quatro dias atrás. Em silêncio. Urdiram uma manobra. Um acordo anticassação, para proteger deputados e barrar processos contra os envolvidos no escândalo do mensalão. A idéia era interromper os trabalhos do Conselho de Ética da Câmara, e paralisar as investigações sobre corrupção. Não foi para frente.

Deu no The New York Times. O jornal americano escreve sobre o Brasil: o governo Lula está “atolado no maior e mais audacioso esquema de corrupção da história do país”. Entre os exemplos, a prisão do assessor com US$ 100 mil na cueca, o jipe Land Rover com a história do presente da empresa GDK a Silvio Pereira, e os R$ 5 milhões da Telemar injetados na Gamecorp de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente.

Para o jornal, a corrupção em Brasília é “uma das maiores ameaças aos ganhos democráticos duramente conquistados nos últimos 20 anos”. O The New York Times comenta outros escândalos do continente americano, mas volta a falar do Brasil:

“É o mais recente exemplo da corrupção incessante que marcou a política da América Latina desde os tempos coloniais, quando governantes absolutistas consideraram as áreas conquistadas como propriedade pessoal.”

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