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Cronologia da Crise:

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6/07/2005

Marcos Valério depõe na CPI dos Correios. Nega conhecer o mensalão. Nega envolvimento em quaisquer irregularidades. Não satisfaz. Alega que pagou “fornecedores” com saques em dinheiro vivo de R$ 20,9 milhões. Tampouco convence quando diz que “a amizade por Delúbio” foi o motivo que o levou a ser avalista do empréstimo bancário de R$ 2,4 milhões para o PT. Os parlamentares fazem graça da versão. Temendo a execução da dívida, Valério resolvera pagar uma das parcelas do empréstimo, no valor de R$ 350 mil.

Valério admite ter se reunido com o presidente do Banco Rural e o então ministro José Dirceu (PT-SP), no Palácio do Planalto. Rechaça a hipótese de ter sido beneficiado em licitação que escolhia a agência de publicidade para atender os Correios. E quando lhe perguntam se fez doações para campanhas eleitorais, responde:

– Se fiz alguma doação, foi dentro da lei... Doação, que me lembre, não. Como pessoa física, não fiz nenhuma doação.

Os empréstimos de R$ 20,6 milhões do Banco do Brasil para o PT derrubam dois altos dirigentes do banco. Caem o vice-presidente de Finanças, Luis Eduardo Franco de Abreu, ligado ao PT, e o vice-presidente de Varejo, Edson Monteiro O governo procura aliviar, alegando que não houve irregularidades. A verdade, porém, é que o banco oficial ficou em maus lençóis. Aprovou operações de crédito vultosas ao partido do presidente da República.

De novo o Coaf. Vem à tona que um procurador da Fazenda Nacional, Glênio Guedes, recebeu R$ 902 mil de Marcos Valério. Foram duas transferências, no final de 2003: uma de R$ 782 mil, outra de R$ 120 mil. À CPI, Valério disse ter conhecido o procurador num clube. Faz cinco dias, porém, que o caso já repercute nos bastidores. Guedes foi afastado do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Motivo: deu parecer a favor do arquivamento de um processo contra o Banco Rural. O jornalista Gilberto Alípio Mansur admite ter recebido R$ 300 mil da SMPB, por serviços prestados à agência de Valério. Suspeita-se que ele intermediou um encontro de Valério com a direção da Editora Três, que publica a revista Isto É, supostamente para que não fosse publicada uma entrevista com Fernanda Karina.

Divulgado o ranking do Ibope/Monitor. Além da DNA Propaganda, traz outra agência com crescimento surpreendente. É a Duda Mendonça, pertence ao marqueteiro de Lula. É dona de contas importantes no governo. O faturamento subiu de R$ 32,6 milhões para R$ 78,5 milhões.

O tesoureiro do PPS paulistano, Ruy Vicentini, volta ao ataque. Ele entrega ao Ministério Público os nomes de doleiros e de empresas de câmbio que, segundo ele, fizeram lavagem de dinheiro e operações com o objetivo de entregar dinheiro do PT a vereadores de São Paulo, a fim de garantir maioria parlamentar à ex-prefeita Marta Suplicy (PT) na Câmara Municipal.

Vicentini acusa o deputado José Mentor (PT-SP), na época vereador e líder do governo municipal. Ele seria o encarregado de aliciar vereadores para o esquema. Denuncia também o vereador Arselino Tatto (PT), que tinha o papel de “prover os vereadores de fundos”:

– Criou-se um ordenado extra para os vereadores, denominado mensalão. Não tinha um valor fixo. As quantias eram acertadas com os vereadores, conforme os projetos.

Vicentini afirma ter ouvido relatos do ex-chefe da Assessoria Parlamentar da Secretaria de Governo, Mario César Aga, sobre o esquema de compra de votos. Diz o tesoureiro:

– Mario Aga falava que o esquema na Câmara Municipal era de grana e que não tinha mais jeito de outra negociação. Se a Prefeitura quisesse parar alguma investigação sobre a administração era na base do dinheiro, e que cada votação tinha um valor.

Vicentini cita os ex-secretários municipais Rui Falcão, Carlos Zarattini e Valdemir Garreta, todos do PT:

– O secretário de Governo da dona Marta, Rui Falcão, organizou, a partir de seu gabinete, o caixa único. O Zarattini e o Garreta arrecadavam o dinheiro dos empresários de ônibus e do lixo e o que sobrava era enviado para o gabinete do José Dirceu.

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ), acusado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos operadores do mensalão, admite que se reuniu com Delúbio Soares e Silvio Pereira para fazer “negociações políticas”.

Rodrigues lista as nomeações que fez no governo Lula: dois diretores da Companhia Docas do Rio, um diretor do Serviço de Patrimônio da União, o diretor-administrativo do Portus, o fundo de pensão do sistema portuário, e um diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).

Em entrevista à Rádio Jovem Pan de São Paulo, Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirma que mais de 100 parlamentares recebiam o mensalão:

– Chegou para mim que tinha até deputado que batia a mão no bolso para dizer: “Esse dinheiro que eu estou gastando aqui é do Delúbio”.

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