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Cronologia da Crise:

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14/08/2005

A Folha de S.Paulo traz reportagens sobre lavagem de dinheiro. Em pauta, as dificuldades para impedir esquemas de corrupção no Brasil. O motivo é a sofisticação das operações ilegais e a falta de pessoal especializado para prevenir crimes financeiros, em órgãos oficiais de fiscalização. O jornal entrevista o advogado Otto Steiner, ex-diretor jurídico da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). Para ele, “o Brasil é o país do Carnaval, do futebol e do caixa 2”:

– Esse dinheiro não contabilizado alimenta a corrupção. É usado para pagar propina a políticos, caixinha a funcionários públicos e para obter vantagens em operações comerciais.

Para Steiner, o problema é endêmico. Não há leis para incriminar o sonegador, mas há mecanismos para evitar a punição:

– A empresa sonega, é autuada, o Ministério Público faz a denúncia e, aí, o sonegador fecha um acordo para pagar de forma parcelada o débito. Com isso, o processo é extinto.

Avaliação da especialista norte-americana Rachel Ehrenfeld, em entrevista ao repórter Iuri Dantas:

– A corrupção é o principal problema na América Latina, como no Brasil. Se não há corrupção, não há lavagem de dinheiro, nem propina, nem tráfico de drogas. Porque há corrupção, porque as pessoas se tornam gananciosas, porque não há lei nem ordem, e isso facilita todos os problemas que estão ocorrendo hoje na América Latina.

O dinheiro obtido por meio de operações fraudulentas, tráfico de drogas, tráfico de armas, contrabando e outros crimes acaba em empresas aparentemente legais. E isso gera a falsa sensação de avanço econômico. Diz a especialista norte-americana:

– O problema é que, quando nada é feito nos países em que o dinheiro é obtido ilegalmente, as pessoas investem em negócios legítimos, e isso atrapalha. Ajuda a corromper a economia desses países. As drogas, por exemplo, têm um papel muito importante para a política e a economia dos países latino-americanos. Economia ilegal, se você preferir. E ninguém parece estar fazendo muito para combater isso.

A repórter Suely Caldas, de O Estado de S. Paulo, desvenda os caminhos do dinheiro do valerioduto. Para ela, os empréstimos do Banco Rural não existiram. Foram inventados para explicar a farta distribuição de recursos por parte do PT, e para “esquentar” dinheiro depositado no Banco Rural, em paraíso fiscal. O texto da jornalista:

“A empresa interessada em doar dinheiro ao governo Lula deposita, digamos, US$ 5 milhões na conta do Banco Rural, lá no paraíso fiscal. Feito isso, o Rural concede um empréstimo do mesmo valor, no Brasil, à SMPB, empresa de Marcos Valério. Em seguida, a SMPB repassa o dinheiro do ‘crédito’ aos ‘protegidos’ indicados por Dirceu/Delúbio (por enquanto, deputados do PT e de partidos aliados).”

A suspeita sobre a verdadeira face do esquema vem do fato de o Banco Rural ter levado um calote de R$ 6,5 milhões de Valério, em 1998, em operação semelhante. “Que banco sério premia o insistente e reincidente caloteiro com tantos outros milionários empréstimos?” Da repórter:

“Além de comissões polpudas faturadas por eles, o Rural provisiona no balanço o ‘prejuízo’ decorrente do calote dos ‘empréstimos’, obviamente concebidos para se transformar em ativos podres. Com isso, o banco reduz ‘seu lucro’ e se livra do Imposto de Renda referente à parcela do falso ‘prejuízo’.”

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