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Cronologia da Crise:

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17/08/2005

Preso Rogério Buratti, o advogado e ex-secretário de Antonio Palocci (PT-SP) na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Ele é acusado de tentar destruir contratos de venda de imóveis e cheques, documentos que o incriminam em negócios suspeitos. Buratti é denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, num esquema de compra e venda de fazendas e de duas empresas de ônibus. Preso também o corretor de imóveis Claudinet Mauad, envolvido nas transações de Buratti.

Investigações sustentam que Buratti comprou três fazendas nos últimos dois anos. Por uma propriedade em Ituverava (SP), pagou R$ 280 mil. Em seguida, trocou-a por terras em Pedregulho (SP), que custaram R$ 600 mil. Em novo negócio, vendeu a fazenda de Pedregulho e comprou uma em Buritizeiro (MG), por R$ 1,2 milhão. Mais recentemente, teria se desfeito da última propriedade, e comprado duas empresas de ônibus por R$ 2,6 milhões, nas cidades de Rancharia (SP) e Presidente Venceslau (SP).

Para o Ministério Público, os negócios evidenciam operações de lavagem de dinheiro, e teriam sido firmados por meio de “contratos de gaveta”. As empresas de ônibus estariam em nome de terceiros. Interceptação telefônica autorizada pela Justiça indica que Buratti também comprou fazenda em Catalão (GO).

Em 1992, Buratti chegou a Ribeirão para coordenar a campanha vitoriosa do então candidato a prefeito, o vereador Antonio Palocci. Chegou sem nada, dirigindo um fusca. Hoje, seu patrimônio pode ultrapassar R$ 3 milhões. Foi afastado da Prefeitura de Ribeirão num rolo com uma empreiteira, após a divulgação de uma fita em que aparece numa conversa suspeita com um empresário. Trabalhou como assessor da Prefeitura de Matão (SP), na época sob comando do PT.

Daí foi para a empreiteira Leão Leão, a principal doadora da segunda campanha de Palocci a prefeito de Ribeirão, em 2000. Saiu da Leão Leão como vice-presidente, em 2004, metido em outro escândalo, o da suposta extorsão de dinheiro da multinacional Gtech, para aprovar a renovação de um contrato com a Caixa Econômica Federal. Waldomiro Diniz participaria da operação.

Buratti é indiciado por suspeita de participação em esquema de fraude em licitações e contratos irregulares de limpeza pública em Ribeirão e outras nove cidades de São Paulo e Minas Gerais, em benefício da Leão Leão. Palocci não comenta a prisão. Buratti fecha acordo com o Ministério Público. Vai colaborar com a Justiça nas investigações, em troca da redução da pena. Prepare-se.

O jornal O Estado de S. Paulo denuncia esquema de corrupção na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O repórter Diego Escosteguy obtém lista com produtos farmacêuticos e cirúrgicos comprados pelo órgão do governo. Relaciona empresas fornecedoras e políticos favorecidos pelos negócios. O diretor da Anvisa, Victor Hugo Travassos, foi indicado para o cargo pelo líder do PP, deputado José Janene (PR). Além do PP, fariam parte do esquema os deputados Cabo Júlio (PMDB-MG) e Almir Sá (PL-RR), e a “liderança do PMDB”, o que seria uma referência ao deputado José Borba (PMDB-PR).

João Cláudio Genu, assessor de Janene, é apontado como principal operador do esquema. Teria o controle de 68 processos da lista, envolvendo 11 empresas e produtos que vão de porta-algodão a laser para urologia. Genu achacaria as empresas, em troca do fornecimento de autorizações para a compra dos produtos. Um assessor solicita anonimato. Define Genu pedindo a propina:

– Ele ia na jugular das empresas.

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