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Cronologia da Crise:

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22/08/2005

Um contrato de R$ 41,6 milhões, assinado entre o prefeito Palocci e a empreiteira Leão Leão, em 2002, não foi mencionado pelo ministro na entrevista da véspera. Palocci manda distribuir nota aos jornais. Não mencionou o “outro contrato”, porque não foi questionado, “em nenhum momento”. Para tentar se desvencilhar do problema, diz que o contrato de R$ 41,6 milhões, “objeto de discussão”, foi assinado na administração anterior à dele, a do prefeito Luiz Roberto Jábali (PSDB), já falecido. Palocci fez apenas manter o contrato.

A situação é mais complicada. Existem oito outros contratos da área de limpeza urbana, todos firmados entre Palocci e a Leão Leão, em 2001 e 2002. Valor do dispêndio: R$ 4,4 milhões. Comum a todos: assinados sem licitação pública.

Deu na imprensa: quando Jábali assumiu a Prefeitura de Ribeirão, em 1997, herdou do primeiro governo de Palocci o preço que o município pagava para recolher a tonelada de lixo. Um custo de R$ 50 reais. A empresa que fazia o serviço era a empreiteira Rek. Jábali abaixou o valor para R$ 42,00 no primeiro ano de administração. E para R$ 35,00 no segundo. Em 1999, a Leão Leão foi contratada por Jábali: R$ 17,00 a tonelada. Um terço dos R$ 50,00 de Palocci, pelo mesmo serviço.

Pois bem: Palocci ganhou as eleições de 2000 e assumiu novamente a Prefeitura a partir de 2001. O valor da tonelada de lixo da Leão Leão oscilou para R$ 23,00 em 2002. Em 2004, Palocci é o ministro e seu vice, Gilberto Maggione (PT), o prefeito da cidade. O preço da tonelada chegou à casa dos R$ 32,76.

Promotores encarregados de investigar o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT) e apurar denúncias de corrupção em Santo André (SP) voltam a citar José Dirceu (PT-SP). Afirmação do promotor Amaro Thomé:

– O ex-ministro é suspeito de ser o destinatário final de recursos ilícitos, do dinheiro da corrupção do esquema de Santo André.

Do promotor Roberto Wider:

– Parte dos recursos arrecadados em Santo André era utilizada em campanhas eleitorais do PT, levados em malas de dinheiro para o escritório de Dirceu.

Para os promotores, Santo André foi “pólo exportador” do esquema do mensalão. O Ministério Público quer descobrir se Daniel morreu numa disputa por caixa 2. O prefeito queria o dinheiro desviado irrigando a campanha de Lula em 2002, mas pessoas próximas a ele insistiam em carrear a propina para o grupo de Santo André. Daniel era um dos coordenadores da campanha de Lula. Morto, foi substituído por Palocci. Uma escolha de Lula.

Depoimento ao Ministério Público. É de Aleni Rodrigues de Oliveira, secretária de Finanças da Prefeitura de Campina Grande (PB), ainda no mandato da prefeita Cozete Barbosa (PT). Ela denuncia um “contrato informal” de publicidade, sem licitação, entre o governo municipal e Duda Mendonça, no valor de R$ 800 mil.

Segundo Aleni, o acerto foi fechado em janeiro de 2003. Previa, entre outras coisas, melhorar a imagem pessoal e os discursos da prefeita, candidata à reeleição. Cozete não se reelegeu. Aleni, filiada ao PT, deu R$ 80 mil por mês a Duda Mendonça:

– Era difícil pagar porque o contrato era informal. Daí, nós tínhamos de dar um jeito de pagar uma empresa e ela devolver o dinheiro, fazer um cheque e a Prefeitura descontar no banco, para depositar na conta de Duda. A Prefeitura de Campina Grande pagava dos cofres públicos.

Tem mais sobre Aleni. O presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), leu o depoimento dela ao Ministério Público. A ex-secretária admitiu que entregou R$ 600 mil da cidade de Campina Grande para Marcelo Sereno, o então assessor especial do ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP). O dinheiro iria ser repassado a Dirceu.

O Ministério Público Federal questiona a propaganda da senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Ela mandou instalar 398 outdoors em Santa Catarina, com fotografia dela. Aparece elogiando a obra de duplicação da rodovia BR-101. A senadora tem um rendimento anual de R$ 220 mil. Os gastos com a propaganda chegaram a R$ 161 mil. Ideli informa que vai pagar com o salário de senadora. Ela vendeu dois carros e fez empréstimo de R$ 80 mil na Caixa Econômica Federal.

Paulo Okamotto, presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), assinou parceria com o Instituto Cidadania, ligado ao PT. A organização foi fundada por Lula em 1990. A parceria prevê uma injeção de R$ 1,2 milhão do Sebrae. Okamotto integra o conselho fiscal do Instituto Cidadania. Em 2002, a organização ajudou a elaborar o programa de governo de Lula. Na época, Okamotto era o presidente. Agora, prefere não se manifestar à repórter Laura Capriglione, da Folha de S.Paulo.

Cai Marcos Antonio Carvalho Gomes, o presidente do fundo de pensão Fundação Real Grandeza, dos funcionários de Furnas Centrais Elétricas e da Eletronuclear. Filiado ao PT, ele teria investido irregularmente R$ 151 milhões em certificados de depósitos bancários do Banco Santos. Do total aplicado, R$ 131 milhões não foram mais recuperados.

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