Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

103
24/08/2005

Mais ligações telefônicas entre Rogério Buratti e o ministro Antonio Palocci (PT-SP). Relatório da operadora Intelig encaminhado à CPI dos Correios informa que Buratti ligou seis vezes do celular para a casa do ministro, sendo quatro vezes em 24 de janeiro de 2003, e duas vezes em 6 de julho daquele ano. No total, 28 minutos de conversa. A assessoria do ministro se cala.

Buratti telefonou outras 12 vezes para Ademirson Ariosvaldo da Silva, o secretário particular de Palocci. Foi entre janeiro e agosto de 2003. No mesmo período fez 14 ligações para Juscelino Dourado, o chefe de gabinete de Palocci. Em nota à imprensa, Dourado admite que recebeu Buratti no Ministério. Diz a nota:

“Recebi visitas do senhor Rogério Buratti, algumas vezes no Ministério da Fazenda. Estimo um total de nove encontros.”

Buratti é padrinho de casamento de Dourado, antigo companheiro de trabalho e ex-sócio comercial. E mais:

“Nossas famílias se conhecem e compartilham atividades sociais e comemorativas.”

Dourado se diz amigo de Buratti, mas as reuniões em Brasília “não significam acesso por parte do senhor Buratti a nenhum tipo de benefício quanto a serviços ou contratos junto ao governo federal”.

No depoimento que prestou ao Ministério Público, Buratti negara encontros com o chefe de gabinete na sede do Ministério. Em gravações, Buratti se refere a Juscelino Dourado como o “J”, um dos investigados por fraudes nas licitações da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), na época em que Palocci foi prefeito pela segunda vez, em 2001 e 2002.

A empreiteira Leão Leão recebeu tratamento privilegiado da Prefeitura de Ribeirão, durante a segunda administração Palocci. Levantamento da Folha de S.Paulo, feito no Diário Oficial, revela acertos antecipados de R$ 16,8 milhões, graças à prática de quebra da ordem cronológica de pagamentos. Foram 71 notas acertadas à frente de outros fornecedores, que já esperavam a vez de receber.

Depois de quase dois meses, o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Rocha (PA), admite publicamente que a assessora Anita Leocádia Pereira Costa sacou R$ 620 mil do valerioduto. O dinheiro foi usado para pagar dívidas de campanha no Pará, apesar de não ter sido informado o Tribunal Regional Eleitoral. Palavra de deputado. Em relação aos outros R$ 300 mil atribuídos a Rocha na lista de Marcos Valério, ele diz que foram para o PSB paraense.

Rocha, presidente do diretório do PT no Pará, considera o ato da assessora “irregular, mas não estranho”. Afinal, explica, Ana Leocádia fez retiradas “na condição de militante” do PT. Ele não vê motivos para ser cassado:

– Não cometi nenhum crime. Não matei, não roubei. Cumpri meu dever de presidente regional do PT.

Em Passo Fundo (RS), o escritor Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, amigo histórico de Lula, afirma que um pequeno grupo de dirigentes do PT “atola pé e alma na corrupção”, e compromete todo um projeto. Frei Betto, nomeado para trabalhar no Palácio do Planalto como assessor especial de Lula, pede para deixar o cargo depois de um ano. E concede entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo:

– Nem sob os anos da ditadura a direita conseguiu desmoralizar a esquerda como esse núcleo petista fez em tão pouco tempo. Na ditadura, apesar de todo sofrimento, perseguições, prisões, assassinatos, saímos de cabeça erguida e certos de que tínhamos contribuído para a redemocratização do país. Agora, não. Esses dirigentes desmoralizaram o partido e respingaram lama por toda a esquerda brasileira.

anterior | próxima | início