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Cronologia da Crise:

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3/08/2005

A operação Portugal Telecom. Notícia do jornal Expresso, de Lisboa. O ex-ministro de Obras Públicas de Portugal, Antonio Mexia, recebeu Marcos Valério “na qualidade de consultor do presidente do Brasil”. O encontro, em outubro de 2004, teve o caráter “de cortesia”. Durou de dez a 15 minutos. A conversa, “de circunstância”. Não teve “tema específico”.

Em nota, a presidência da República nega, “enfaticamente”. Valério não foi autorizado a representar Lula. Mas é fato: Valério foi recebido em audiência pelo ministro José Dirceu (PT-SP), em 11 de janeiro de 2005, 13 dias antes da viagem a Lisboa, em companhia do tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri. Para anotar: Valério foi ao encontro de Dirceu com o representante do Banco Espírito Santo no Brasil, Ricardo Espírito Santo. Ele é primo do presidente do banco, Ricardo do Espírito Santo Salgado. Dados em poder da CPI dos Correios mantêm registro de que Santo Salgado esteve no Brasil no fim de 2004, para jantar com Delúbio.

Mais uma informação, que corrobora a denúncia de Jefferson: o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) confirma que rejeitou uma proposta para aplicar US$ 100 milhões no Banco Espírito Santo. Não são os números de Jefferson, mas são números. Quem forçou a posição do IRB pela rejeição da proposta, em abril de 2005, foi o diretor de Finanças da estatal, Alberto Pais, o único não indicado por partidos políticos.

Simone Vasconcelos na CPI dos Correios. A diretora administrativa e financeira da SMPB conta que esteve cerca de 30 vezes em Brasília, em 2003, por determinação de Marcos Valério. Foi tratar de retiradas de dinheiro, atendendo os interesses de Delúbio Soares. Ela conhece um pouco da história do saque em nome de Roberto Marques, o Bob, o fiel amigo de José Dirceu:

– A Geyza Dias, gerente financeira da SMPB, autorizou o saque de R$ 50 mil do Rural em São Paulo, em nome dele. Mas no dia seguinte enviou outro fax ao Rural, mudando o destinatário. Se foi mudado, foi por ordem do Valério, que deve ter mudado a pedido do Delúbio.

Dava muito na cara, né?

Os R$ 50 mil, afinal, foram recebidos por um emissário da corretora Bônus-Banval. Na primeira fase de operação do valerioduto, aliás, o dinheiro era entregue em espécie ou mediante transferências eletrônicas, diretamente aos beneficiados. Depois, Marcos Valério procurou procedimentos mais seguros, dificultando a identificação dos recebedores. Passou a usar os serviços das corretoras Bônus-Banval e Garanhuns para distribuir o dinheiro. Além de tudo, tinha outro problema: Simone Vasconcelos não agüentava mais lidar com tanto dinheiro. Palavras dela à CPI:

– Quando chegava ao Rural em Brasília tinha impressão de que até o guarda sabia que eu ia tirar dinheiro. Não gostava disso, pelo risco pessoal. Achava perigoso. Com o passar de alguns meses, fiquei incomodada, constrangida. Não me ocorreu que fosse ilegal, mas pedi para não fazer mais.

De Simone:

– Não me arrependo de nada. Sou muito grata ao Marcos Valério. Ele me deu possibilidade de crescimento profissional. E quando fiquei incomodada por entregar valores, isso mudou. Tudo o que fiz foi por determinação do meu patrão.

Cai Manoel Severino dos Santos, o presidente da Casa da Moeda, um órgão subordinado ao Ministério da Fazenda. Manoel Severino aparece na lista de Valério como sacador de R$ 2,6 milhões. É um dos fundadores do PT no Rio. Foi secretário da ex-governadora Benedita da Silva (PT-RJ). Trabalhou na campanha de reeleição de Benedita. Exerceu a função de tesoureiro informal do partido. É próximo de Marcelo Sereno e Delúbio.

A DNA pagou R$ 34 mil mensais, entre abril de 2003 e dezembro de 2004, para a IFT (Idéias, Fatos e Texto), empresa do jornalista Luís Costa Pinto. Em troca, serviços de comunicação aos deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Virgílio Guimarães (PT-MG).

A SMPB, outra agência de Marcos Valério, pagou R$ 20 mil mensais a Luís Costa Pinto, pela assessoria ao deputado João Paulo Cunha (PT-SP), na época em que presidia a Câmara dos Deputados. A CPI dos Correios descobriu uma transferência de R$ 50 mil a Luís Costa Pinto, vinda das contas de Valério.

A Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal abre inquérito para apurar denúncia contra Antônio Carlos Correa, superintendente da Polícia Rodoviária do Rio. Apontado como afilhado político de Roberto Jefferson (PTB-RJ), ele atuaria num esquema irregular para liberar caminhões e carretas apreendidos nas estradas. Em escuta telefônica, aparece autorizando a circulação de um veículo apreendido, “a pedido de um parlamentar de Petrópolis”, o que seria uma referência a Jefferson.

Em outra ligação, um empresário ameaça outro policial rodoviário. Diz que vai negociar diretamente com o superintendente Correa, caso não haja um acordo. Do empresário:

– Se o acerto for direto com o Correa, ele vai comer sozinho. Ele não vai passar nada.

Correa, 31 anos de Polícia Rodoviária Federal, perde o cargo.

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