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Cronologia da Crise:

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6/08/2005

O PT decide suspender Delúbio Soares por tempo indeterminado – solicitação do próprio ex-tesoureiro do partido. Obtém 27 votos. Outra proposta previa a suspensão da filiação partidária de Delúbio por 60 dias. Recebe 16 votos. Fica rejeitada a abertura de um processo interno de investigação, sobre atividades de Delúbio na secretaria de Finanças do PT. Do deputado Chico Alencar (PT-RJ), da esquerda do partido:

– Delúbio sabe de muita coisa. Ele não faria operações milionárias de moto próprio, e por isso tem que ter blindagem, proteção. O partido não quer ser melindrado. O Campo Majoritário está vivo e José Dirceu, trabalhando firme.

Para o deputado Mauro Passos (SC-PT), o receio é um só. Delúbio poderia contar o que sabe:

– Tornou-se perigoso, do ponto de vista que pode liquidar figuras do nosso partido e do nosso governo. Imagino o esforço para que não abra o verbo.

O jornal O Estado de S. Paulo comenta a decisão do PT, no editorial “Pizza no diretório do PT”. Critica a influência de Dirceu e classifica Delúbio como o “parceiro de falcatruas de Valério”, o autor de “negócios escabrosos”:

“Tiveram vida breve as promessas de moralização do Partido dos Trabalhadores, repetidas pelo seu novo presidente, Tarso Genro. A ‘refundação’ do partido, de que ele falava, ou ficou para as calendas ou se fará, como tudo indica, sobre as mesmas bases apodrecidas de onde emanou o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no país.”

A revista Época publica uma fotografia. Vê-se a ampla casa, de bom gosto, avaliada em R$ 600 mil. Recém-construída, por José Dirceu (PT-SP). Fica no condomínio Vale de Santa Fé, em Vinhedo (SP). Tem 431 metros quadrados, piscina e churrasqueira. Tudo num belo terreno de 1.680 metros quadrados.

Análise da CPI dos Correios sobre operações financeiras. É de envolvidos no escândalo do mensalão, e traz dúvidas sobre movimentações de Dirceu. Cerca de R$ 535 mil, transferidos ao ex-ministro entre 2000 e 2005, não dispõem de identificação. Não se sabe quem são os depositantes. Para a assessoria de Dirceu, o deputado está protegido por sigilo bancário, e não fará comentários sobre o assunto.

A operação Portugal Telecom. Quem se manifesta, agora, é o ex-diretor de Finanças da Embratur no governo Lula, Emerson Palmieri. Ele também é tesoureiro informal do PTB. Contesta a versão apresentada por Marcos Valério, segundo a qual foi a Lisboa apenas a passeio, por estar estressado e ser amigo de Valério. Ele dá entrevista ao repórter Rubens Valente, da Folha de S.Paulo:

– Não sou amigo dele, não tenho nada com ele, eu o conheço há poucos meses.

Palmieri aproximou-se de Valério “por contingência”. Foi a Portugal em “missão partidária”, mas não há clareza sobre o encontro de Valério com representantes da Portugal Telecom:

– O Jefferson tinha combinado com José Dirceu e que era para eu acompanhar, para saber se iria ocorrer a reunião. Mais nada, eu não tinha detalhes disso.

Na explicação confusa, Palmieri diz que foi convocado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) para a viagem, mas sem maiores explicações sobre o que estava em andamento. Refere-se assim ao encontro entre Valério e diretores da empresa portuguesa:

– Ele não permitiu que eu entrasse na reunião, disse apenas que “provavelmente vamos equacionar em 20 dias o problema do PT e do PTB”.

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