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Cronologia da Crise:

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9/08/2005

A oposição denuncia o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), por trabalhar pelo engavetamento do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP). Por causa disso, ameaça obstruir trabalhos parlamentares no Congresso. Severino é forçado a recuar e encaminha quatro casos ao Conselho de Ética da Câmara. São as representações contra Dirceu, Sandro Mabel (PL-GO), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Francisco Gonçalves (PTB-MG).

Surge Paulo Okamotto, o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Foi nomeado para o cargo por Lula. Apresenta-se como o autor do pagamento da dívida de Lula de R$ 29.436,26 junto ao PT.

Okamotto foi tesoureiro da campanha de Lula em 1989, na primeira vez que o líder petista disputou a presidência da República. A CPI dos Correios investiga se o pagamento da dívida foi feito com dinheiro de caixa 2. No Sebrae, Okamotto administra um orçamento anual de R$ 900 milhões. Ele diz que pagou a dívida em quatro parcelas, mas não contou nada ao presidente:

  • Tirei recursos da minha conta pessoal.

Okamotto não tem provas de que pagou. Não tem recibos, nada. A história não tem lógica. Ele diz que sacou dinheiro vivo em caixas eletrônicos em Brasília, e enviou os valores em espécie para São Paulo. Na capital paulista, aconteceram os depósitos em conta bancária do PT, a partir de quatro agências diferentes do Banco do Brasil. Uma confusão.

Declaração do senador Álvaro Dias (PSDB-PR):

– Chama a atenção a dificuldade do governo para explicar algo aparentemente simples.

Comentário do deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS):

– Levaram quase um mês para encontrar alguém que assumisse a responsabilidade. Temos informações de que a versão foi combinada de última hora.

Do ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner (PT-BA):

– O que eu tenho a dizer é o que ouvi do presidente. Lula não tomou empréstimo do PT, não reconhece empréstimo e não pagou empréstimo do PT.

Do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP):

– Não houve empréstimo. Foi mais uma trapalhada do Delúbio Soares.

Em depoimento à CPI do Mensalão, Marcos Valério confirma que destinou mesmo R$ 15,5 milhões das contas bancárias de suas agências de publicidade para pagar o publicitário Duda Mendonça. O dinheiro foi entregue à sócia de Duda, Zilmar Fernandes Silveira, e a outras pessoas autorizadas por ela.

Zilmar é íntima da família presidencial. Cuida pessoalmente da imagem de Lula e da primeira-dama, Marisa Letícia. Faz isso desde a eleição de 2002. Sugere roupas novas para o presidente, e tratamentos estéticos para dona Marisa. No mercado publicitário, é tida como próxima de Delúbio Soares.

Em depoimento à CPI dos Bingos, o advogado Rogério Buratti diz que foi procurado por emissários da multinacional Gtech, em abril de 2003. Queriam uma intermediação dele junto ao ministro Antonio Palocci (PT-SP), para renovar um contrato com a Caixa Econômica Federal. Em troca da influência, R$ 16 milhões.

Buratti garante que não aceitou a proposta, e isenta o ministro da Fazenda de qualquer irregularidade. O contrato com a Gtech, porém, foi renovado por R$ 650 milhões. Buratti nega tráfico de influência, mas não desmente a amizade com Palocci. E desvia o foco do ministro. Diz suspeitar que a Gtech contratou, por R$ 5 milhões, a MM Consultoria. A empresa, sim, teria ajudado na renovação do contrato. A MM é ligada ao advogado Marcelo Coelho Aguiar, que foi assessor de Luiz Gushiken na Secom, a Secretaria de Comunicação da presidência da República. A história tem desdobramentos.

Em Brasília, outra história. A do sacador do valerioduto que passou recibo. É Charles dos Santos Dias, assessor do ex-senador Ademir Andrade (PSB-PA), candidato ao governo do Pará em 2002, derrotado no primeiro turno. Dos R$ 920 mil do caixa 2 do PT em nome do deputado Paulo Rocha (PT-PA), R$ 300 mil foram retirados de conta da SMPB, em dinheiro vivo, na agência Assembléia do Banco Rural, em Belo Horizonte. Dias fez o saque.

O dinheiro teria sido usado para comprar o apoio político do ex-senador. Em troca da bolada, ele ficou ao lado de Maria do Carmo (PT-PA), candidata a governadora no segundo turno das eleições do Pará, em 2002. Ela também foi derrotada. De qualquer forma, Dias descontou três cheques, de R$ 100 mil cada um, em 6 de maio de 2003. Assinou recibo, deixou rastro. Os números do RG, CPF e do telefone celular.

Do ex-senador Andrade ao jornal O Estado de S. Paulo:

– Tenho 30 anos de vida pública dedicada à luta do povo, sempre na esquerda, defensor dos sem-terra. Nunca me servi de qualquer coisa de governo, tive sempre comportamento absolutamente impecável, e de repente me vejo envolvido em situações como essa.

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