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Cronologia da Crise:

Agosto de 2005

1.08.2005

Marcos Valério faz tremer. Simone Vasconcelos depõe na Polícia Federal, em Brasília. Fornece uma lista com 31 nomes, elaborada por Valério. Traz os nomes de sacadores e beneficiários do mensalão. Todos autorizados pelo PT a fazer retiradas. Total que saiu das contas bancárias das empresas de Valério: R$ 55,8 milhões. Um esclarecimento: nem sempre os beneficiários foram pegar dinheiro vivo no banco. Os mais espertos mandaram assessores e familiares. Eis os principais nomes da lista, com os respectivos valores agraciados, por ordem de grandeza:

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2.08.2005

José Dirceu (PT-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ) enfrentam-se em sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Um duelo com ofensas, denúncias para todos os lados e muita ironia. Dirceu trata de proteger Lula, minimizando a influência que teve no governo do presidente. Jefferson rouba a cena. Eis as intervenções de Dirceu, retrucadas por Jefferson:

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3.08.2005

A operação Portugal Telecom. Notícia do jornal Expresso, de Lisboa. O ex-ministro de Obras Públicas de Portugal, Antonio Mexia, recebeu Marcos Valério “na qualidade de consultor do presidente do Brasil”. O encontro, em outubro de 2004, teve o caráter “de cortesia”. Durou de dez a 15 minutos. A conversa, “de circunstância”. Não teve “tema específico”.

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4.08.2005

Mais uma história que passa raspando em Lula. O jornal O Estado de S. Paulo faz uma revelação sobre o caixa 2 do PT. A reportagem é de Christiane Samarco. Desta vez, trata-se de R$ 2,1 milhões do valerioduto que foram parar nas mãos do líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba (PR), em 2004.

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5.08.2005

A operação Portugal Telecom. O jornal português Público informa que Ricardo Espírito Santo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, confirmou um encontro mantido com Marcos Valério em Lisboa, no final de 2004. Na audiência, o banqueiro comentou que tinha dificuldade para marcar uma reunião com altos funcionários do governo Lula.

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6.08.2005

O PT decide suspender Delúbio Soares por tempo indeterminado – solicitação do próprio ex-tesoureiro do partido. Obtém 27 votos. Outra proposta previa a suspensão da filiação partidária de Delúbio por 60 dias. Recebe 16 votos. Fica rejeitada a abertura de um processo interno de investigação, sobre atividades de Delúbio na secretaria de Finanças do PT. Do deputado Chico Alencar (PT-RJ), da esquerda do partido:

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7.08.2005

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o sub-relator da CPI dos Correios para a área de finanças, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), defende uma mudança na cultura política, que acabe com o que chama de “jogo de promiscuidade” entre governo e Congresso Nacional. Critica nomeações políticas para cargos públicos, que visem contrapartidas financeiras. Fala à repórter Eugênia Lopes sobre o comprometimento de Lula com o escândalo do mensalão:

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8.08.2005

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), anuncia processos de cassação para quatro deputados acusados de quebra de decoro parlamentar. José Dirceu (PT-SP) não está na lista. Os quatro requerimentos foram solicitados pelo PL. Todos contra deputados do PTB, mas atingem apenas parlamentares que foram candidatos a prefeito em 2004. Segundo a tese apresentada, eles teriam recebido dinheiro de Roberto Jefferson (PTB-RJ). São eles: Sandro Matos (RJ), Newton Lima (SP), Joaquim Francisco (PE) e Alex Canziani (PTB). Os nomes deles não aparecerão no escândalo do mensalão. Faz 62 dias que o Conselho de Ética da Câmara, presidido por Ricardo Izar (PTB-SP), analisa o processo de cassação do mandato de Jefferson.

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9.08.2005

A oposição denuncia o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), por trabalhar pelo engavetamento do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP). Por causa disso, ameaça obstruir trabalhos parlamentares no Congresso. Severino é forçado a recuar e encaminha quatro casos ao Conselho de Ética da Câmara. São as representações contra Dirceu, Sandro Mabel (PL-GO), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Francisco Gonçalves (PTB-MG).

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10.08.2005

A Polícia Federal entrega à CPI dos Correios um laudo apontando suspeitas de manipulação em números e informações do Banco Rural. Os dados foram enviados para os trabalhos de investigação da comissão. Há indícios de transações que foram apagadas ou modificadas, para mais ou para menos, nas operações de crédito, débito, transferências bancárias e saques atribuídos às empresas de Marcos Valério. Arquivos supostamente adulterados abrigam 39 mil registros de operações.

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11.08.2005

A crise política assume contornos dramáticos. Duda Mendonça e Zilmar Fernandes Silveira depõem na CPI dos Correios. Duda apareceu sem ser convocado. Marqueteiro de Lula, confessa que recebeu R$ 11,9 milhões em caixa 2 de Marcos Valério. É dinheiro que pagou os serviços prestados na campanha de 2002, que elegeu Lula. Pior: R$ 10,5 milhões do total foram depositados no exterior, por orientação, segundo Duda, de Valério.

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12.08.2005

Lula aproveita reunião ministerial para ler discurso ensaiado e preparado por sua assessoria. Faz um auto-elogio a realizações do seu governo e exime-se de responsabilidades sobre o escândalo do mensalão. Visivelmente abalado, quase não olha para as câmeras que transmitem o discurso. No final, de improviso:

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13.08.2005

A revista Época publica entrevista com Valdemar da Costa Neto (SP), o presidente do PL. Foi o primeiro deputado a renunciar por envolvimento no escândalo do mensalão. Aliado do Palácio do Planalto, Valdemar foi um dos artífices da aliança PT-PL em 2002, e um dos responsáveis pela escolha de José Alencar (PL-MG) para vice-presidente de Lula.

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14.08.2005

A Folha de S.Paulo traz reportagens sobre lavagem de dinheiro. Em pauta, as dificuldades para impedir esquemas de corrupção no Brasil. O motivo é a sofisticação das operações ilegais e a falta de pessoal especializado para prevenir crimes financeiros, em órgãos oficiais de fiscalização. O jornal entrevista o advogado Otto Steiner, ex-diretor jurídico da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). Para ele, “o Brasil é o país do Carnaval, do futebol e do caixa 2”:

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15.08.2005

Técnicos da CPI dos Correios suspeitam da versão de Duda Mendonça. O publicitário disse que foi obrigado a abrir uma empresa num paraíso fiscal, para receber pelos serviços à campanha que elegeu Lula em 2002. O problema é que remessas de R$ 8,8 milhões à offshore Dusseldorf, nas Bahamas, foram feitas em datas ou em dias seguintes a saques em contas de Marcos Valério.

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16.08.2005

O jornal Folha de S.Paulo noticia apreensão de papéis na casa do banqueiro Edemar Cid Ferreira, ocorrida em março de 2005. Os documentos ligam o tesoureiro Delúbio Soares ao escândalo do Banco Santos. Há indícios de que o banqueiro tentou levantar recursos com fundos de pensão, 11 dias antes da intervenção do Banco Central. Delúbio estaria envolvido. O Banco Santos foi liquidado, acusado de provocar rombo de R$ 2,2 bilhões.

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17.08.2005

Preso Rogério Buratti, o advogado e ex-secretário de Antonio Palocci (PT-SP) na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Ele é acusado de tentar destruir contratos de venda de imóveis e cheques, documentos que o incriminam em negócios suspeitos. Buratti é denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, num esquema de compra e venda de fazendas e de duas empresas de ônibus. Preso também o corretor de imóveis Claudinet Mauad, envolvido nas transações de Buratti.

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18.08.2005

Em depoimento à CPI do Mensalão, Delúbio Soares sai-se com evasivas. Além da sucessão de negativas, o ex-tesoureiro do PT não se lembra mais de nada. E os empréstimos de Marcos Valério ao partido? “Tem que verificar se foram R$ 55 milhões, R$ 56 milhões, R$ 58 milhões”. Do dinheiro repassado ao publicitário Duda Mendonça, “não sei se são R$ 12 milhões, R$ 16 milhões, R$ 17 milhões”. Sobre a grana que o PT ficou de dar ao PL em troca do apoio em 2002, “algo em torno de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões”.

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19.08.2005

Mais um petardo de grandes proporções contra o governo. A vítima é Antonio Palocci (PT-SP), o poderoso ministro da Fazenda. Em troca do benefício da delação premiada, Rogério Buratti presta depoimento na Delegacia Seccional da Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP), na frente de seis promotores do Ministério Público que investigam fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

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20.08.2005

A revista Veja obtém informações exclusivas do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona. Ele responde a uma lista de 20 perguntas do repórter Policarpo Junior. Relata o envolvimento do PT com o mundo da remessa de divisas para o exterior, a troca de dólares por reais e outras transgressões. Fala de uma conta clandestina do PT operada pelo Trade Link Bank, uma offshore ligada ao Banco Rural, nas Ilhas Cayman.

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21.08.2005

A Folha de S.Paulo noticia detalhes de documentação emitida em 2004 e apreendida na sede da empreiteira Leão Leão. Os papéis reforçam a versão de Rogério Buratti, segundo a qual houve o pagamento de R$ 50 mil mensais, na forma de propina, ao então prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antonio Palocci (PT). Os documentos fazem parte de um arquivo de computador denominado “despesas diversas”. Foram encontrados no notebook de Wilney Barquete, ex-presidente da Leão Ambiental, o braço da Leão Leão especializado em limpeza urbana. Barquete substituiu Buratti na empresa, depois que ele foi afastado em decorrência do rumoroso caso Gtech/Caixa Econômica Federal.

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22.08.2005

Um contrato de R$ 41,6 milhões, assinado entre o prefeito Palocci e a empreiteira Leão Leão, em 2002, não foi mencionado pelo ministro na entrevista da véspera. Palocci manda distribuir nota aos jornais. Não mencionou o “outro contrato”, porque não foi questionado, “em nenhum momento”. Para tentar se desvencilhar do problema, diz que o contrato de R$ 41,6 milhões, “objeto de discussão”, foi assinado na administração anterior à dele, a do prefeito Luiz Roberto Jábali (PSDB), já falecido. Palocci fez apenas manter o contrato.

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23.08.2005

Em depoimento à CPI do Mensalão, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), presidente do PL, dá explicações. Recebeu R$ 6,5 milhões em recursos do caixa 2 do PT, entre janeiro de 2003 e setembro de 2004. Pagou despesas com material de campanha do presidente Lula, ainda do segundo turno das eleições de 2002. O jogo de Valdemar:

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24.08.2005

Mais ligações telefônicas entre Rogério Buratti e o ministro Antonio Palocci (PT-SP). Relatório da operadora Intelig encaminhado à CPI dos Correios informa que Buratti ligou seis vezes do celular para a casa do ministro, sendo quatro vezes em 24 de janeiro de 2003, e duas vezes em 6 de julho daquele ano. No total, 28 minutos de conversa. A assessoria do ministro se cala.

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25.08.2005

Em Brasília, mais encrenca. Rogério Buratti depõe na CPI dos Bingos e confirma: o ministro Antonio Palocci (PT-SP) recebeu propina de R$ 50 mil mensais, durante dois anos, no período em que exerceu seu segundo mandato como prefeito de Ribeirão Preto (SP). O suborno teria sido pago pela Leão Leão, contratada para diversos serviços pela Prefeitura.

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26.08.2005

Em visita ao Ceará, Lula é recebido em Quixadá pelo prefeito Ilário Marques (PT), ameaçado de perder o mandato. Ele foi flagrado cometendo um crime eleitoral. O Ministério Público denunciou o prefeito e pediu a sua cassação. Marques exerce o terceiro mandato como prefeito. Foi acusado de distribuir chuteiras aos eleitores. A prova contra ele, porém, é uma gravação feita com câmera escondida, durante a campanha eleitoral de 2004. A fita foi analisada por peritos e não há fraude. Mostra o prefeito orientando uma eleitora grávida a procurar uma assessora dele na Prefeitura, para ganhar um enxoval. A defesa de Marques: a gravação, feita sem o consentimento do prefeito, é uma prova ilícita.

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27.08.2005

O jornal Folha de S.Paulo entrevista o engenheiro Luiz Fernando Alessi, secretário de Obras da primeira gestão de Antonio Palocci (PT-SP) na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Um dos fundadores do PT na cidade, Alessi afirma aos repórteres Rogério Pagnan, Rubens Valente e Conrado Corsalette que a empreiteira Leão Leão fez doações não declaradas ao PT em 1992, depois de manter contatos com Palocci e Rogério Buratti, um dos coordenadores daquela campanha e o futuro secretário de Governo.

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28.08.2005

O jornal O Globo, do Rio, traz reportagem mostrando o resultado dos trabalhos de auditoria realizados em contratos firmados pelos Correios, em 2003 e 2004, no valor de R$ 7 bilhões. O assunto é grave. Foram constatados 525 tipos de irregularidades, a maior parte consideradas de “alto risco” para os cofres públicos. O repórter José Casado mergulhou num mundo de licitações dirigidas, orçamentos irreais, pagamentos sem cobertura contratual, reajustes indevidos e pregões eletrônicos distorcidos.

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29.08.2005

A semana começa quente no Congresso Nacional. Pronto o parecer que recomenda a cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o autor das denúncias do escândalo do mensalão. Para o relator, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), Jefferson comportou-se de forma incompatível com a ética e o decoro parlamentar. Ofendeu parlamentares de forma leviana. Carneiro acusa-o por receber dinheiro de caixa 2 na campanha de 2004, fazer tráfico de influência em estatais e por não ter provado o mensalão, “nos moldes descritos”. Do relator:

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30.08.2005

Depõe ao Ministério Público um ex-gerente financeiro da gráfica e editora Villimpress, de Ribeirão Preto (SP). A identidade dele é mantida em sigilo. O homem relata um esquema de caixa 2 ocorrido na eleição de 2002, envolvendo a gráfica, a empreiteira Leão Leão e o secretário da Casa Civil da Prefeitura de Ribeirão, Juscelino Dourado, chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP).

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31.08.2005

Entrevista de Soraya Garcia, a assessora financeira do PT na campanha de reeleição do prefeito de Londrina (PR), Nedson Micheletti (PT), em 2004. Ela fala ao repórter José Maschio, da Folha de S.Paulo. Acusa o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), de carregar dinheiro vivo para Londrina, onde circulou num automóvel blindado da marca BMW:

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1.09.2005

Em sessão conjunta, as CPIs dos Correios e do Mensalão aprovam, por unanimidade, relatório denunciando 18 deputados federais por “um amplo conjunto de crimes políticos”. O documento solicita a abertura de processos de cassação de mandatos contra todos os citados. Os parlamentares fazem parte da lista de beneficiários dos saques das contas de Marcos Valério. Entre os crimes, improbidade administrativa, corrupção ativa e passiva, prevaricação, infração à legislação eleitoral e sonegação fiscal. O relatório vai para o Conselho de Ética da Câmara. Do relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR):

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