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Cronologia da Crise:

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11/09/2005

O ministro Jaques Wagner (PT-BA), das Relações Institucionais, reúne-se reservadamente com o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). O encontro ocorre na casa de Severino, antes de uma entrevista concedida pelo presidente da Câmara. Durante o encontro, Wagner pede-lhe que tenha cautela nas declarações aos jornalistas. Quer evitar desmentidos posteriores. Palavras de Wagner, segundo a assessoria:

– O governo decidiu que não vai fazer prejulgamento e vai esperar a apuração da denúncia.

Trecho da entrevista de Severino:

– O governo tem certeza absoluta de que não estou dentro desse enlameado que tentaram lançar em meu nome.

Reação do empresário Sebastião Buani, ao dizer que até pouco tempo atrás era bem-vindo no gabinete de Severino:

– Ele não falou da ligação que tinha comigo, por que ia lá no restaurante, o tanto que me ligava. Se quebrarem o sigilo telefônico, vão estranhar por que um primeiro-secretário liga tanto para um concessionário.

A CPI dos Correios divulga levantamento parcial obtido com a quebra de sigilos telefônicos no período de 2003 a 2005. Os dados apontam que três deputados envolvidos no escândalo do mensalão trocaram ligações telefônicas com a SMPB, a agência de publicidade de Marcos Valério usada para repassar dinheiro de caixa 2.

São eles: Professor Luizinho (PT-SP), com 13 telefonemas, inclusive no dia 23 de dezembro de 2003, data da ocorrência de um saque de R$ 20 mil em nome dele, na agência da avenida Paulista do Banco Rural, em São Paulo. Sandro Mabel (PL-GO), com nove ligações. Ele é acusado de ter oferecido dinheiro para a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) mudar de partido. E José Janene (PP-PR), que usou o próprio telefone celular para conversar com Valério.

O jornal O Estado de S. Paulo noticia que o PT usou dinheiro do fundo partidário, originário de recursos públicos, para pagar irregularmente passagens aéreas para filhos, noras, genro e neta do presidente Lula, e para a mulher e a filha do ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP). Quase todas as viagens, no final de 2002, foram no eixo São Paulo-Brasília.

Beneficiados: Marcos Cláudio, filho de Lula, e a nora do presidente, Carla Adriane. Luiz Cláudio, filho de Lula, e a namorada, Talita. Sandro, filho de Lula, e a namorada, Marlene Araújo. E Lurian Cordeiro, filha de Lula, que viajou desde Florianópolis, acompanhada do marido, Marcelo Sato, e da filha, Maria Beatriz, neta de Lula. Já Palocci usou a mordomia para as passagens áreas da mulher, Margareth, e da filha, Carolina, e ainda se serviu da grana para pagar o hotel no qual Carolina se hospedou.

Reação do corregedor-geral da Justiça, ministro Humberto Gomes de Barros:

– A coisa é tão insólita. É uma apropriação indébita, desvio de dinheiro público. É uma coisa muito séria.

Com o caso nos jornais, Palocci manda a assessoria emitir nota, para negar conhecimento “pleno” dos pagamentos. Só parcial, portanto. E diz que “considera” restituir “eventuais pagamentos”, “que possam ter qualquer dúvida de correção”.

O PT também usou o fundo partidário para pagar R$ 22,8 mil de passagens aéreas para a China, em benefício de Rioco Kayano, mulher do então presidente do partido, José Genoino (PT-SP). Passagens a Paris de primeira classe foram pagas a Luis Favre, marido de Marta Suplicy (PT-SP), no valor de R$ 17.700,00. Quem também embarcou para a capital francesa foi o prefeito de Guarulhos (SP), Elói Pietá (PT), que ainda foi a Barcelona.

Marta Suplicy, por sua vez, gastou R$ 27 mil com o aluguel de um jatinho para deslocamentos entre São Paulo, Florianópolis e Brasília. Quem viajou com dinheiro do fundo partidário, ainda, foi José Adalberto Vieira da Silva, o assessor do deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) e um dos ícones do escândalo do mensalão, preso com R$ 200 mil numa maleta e US$ 100 mil na cueca.

Salta aos olhos, ainda, o uso que o PT fez do fundo partidário para pagar R$ 188 mil ao Hotel Transamérica, em São Paulo, em maio de 2004. Foram R$ 102 mil pelo uso de salas do hotel, e R$ 84 mil para o pagamento de “banquetes”. O restante vem de taxas.

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