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Cronologia da Crise:

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12/09/2005

Renuncia o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ). Ele abre mão do mandato para evitar um processo de cassação e a eventual inelegibilidade. É acusado de ter recebido R$ 400 mil do valerioduto. Nega. Diz ter sacado R$ 250 mil, e apenas para quitar dívidas referentes ao segundo turno da campanha que elegeu Lula em 2002. Na época, Rodrigues era o presidente do PL no Rio. Do agora ex-deputado Rodrigues, referindo-se ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (SP), que também renunciou:

– Fui chamado pelo Valdemar para que apoiasse o presidente Lula. Apoiei, fiz dívida do partido, e o Valdemar mandou que eu recebesse o dinheiro em dezembro de 2003.

O empresário Sebastião Buani entrega à Polícia Federal extrato de sua conta bancária. Mostra um saque de R$ 40 mil, efetuado em 4 de abril de 2002. O dinheiro teria sido usado para pagar propina ao deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). A retirada foi no mesmo dia em que Severino assinou um documento com autorização para o funcionamento do restaurante Fiorella.

Em depoimento à Polícia Federal, três empregados do Fiorella confirmam que levaram dinheiro para secretárias de Severino, a pedido de Buani. O maître José Ribamar da Silva fez duas entregas. Ele cita a filha do empresário, Gisele Buani:

– Levei pacotes com dinheiro para a secretária. Não sabia quanto tinha, porque estava lacrado, mas a Gisele pedia para ter cuidado porque continha dinheiro.

O garçom Hélio Antônio da Silva levou três encomendas:

– Não posso dizer que era para Severino, mas a recomendação foi que eu entregasse na primeira-secretaria.

O garçom Rosenildo Francisco Soares fez o serviço uma vez:

– Sabia que era dinheiro, mas para que, eu não sabia.

Depois de almoçar com Lula, o ministro Jaques Wagner (PT-BA), das Relações Institucionais, toma cuidado para não dar declarações que possam ser interpretadas como uma defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE). O ministro desmente boatos de que o governo vai pedir ao PT e ao aliado PSB para não assinarem representação contra Severino:

– Não vou pedir. A decisão cabe a cada presidente de partido.

No período da tarde, porém, o líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), que já anunciara a decisão de assinar a representação contra Severino, tem encontro com Wagner e o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Fontana volta atrás. Diz o ministro Wagner:

– Prevaleceu o bom senso.

O deputado José Janene (PP-PR) não usa meias palavras:

– Severino tem o apoio integral, solidário e irrestrito de toda a bancada do PP.

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