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Cronologia da Crise:

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15/09/2005

O Ministério Público divulga os depoimentos de duas testemunhas sigilosas do caso Santo André. Uma empregada doméstica que trabalhou no apartamento de Celso Daniel (PT) afirmou que, oito meses antes do assassinato do prefeito, encontrou três sacos plásticos de supermercado num canto da lavanderia, abarrotados de maços de dinheiro presos por elásticos, em notas de R$ 10, R$ 50 e R$ 100. Os sacos estavam sob um lençol branco. Alguns dias depois, tudo foi retirado de lá.

O outro depoimento é de um garçom do restaurante Baby Beef de Santo André (SP), freqüentado por Daniel e por três suspeitos de participação no esquema de arrecadação de propina na cidade. São eles: o ex-segurança de Daniel, Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra; o empresário Ronan Maria Pinto; e o ex-secretário de Serviços Municipais e ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT).

Os quatro tinham o costume de sentar na mesma mesa do restaurante. O garçom viu Ronan, empresário do setor de transportes e de coleta de lixo, tirar um maço de dinheiro da bolsa e entregá-lo a Klinger. O então vereador procurou ocultá-lo, deixando-o sob um guardanapo. Em outra ocasião, o garçom reparou que uma funcionária de Ronan chegara ao restaurante trazendo uma sacola grande de papel para o chefe, repleta de dinheiro.

Declaração do promotor Roberto Wider Filho:

– Esses depoimentos mostram que Celso Daniel realmente tinha envolvimento com o esquema de corrupção. A presença de notas de R$ 10 é um indicativo de que os recursos podem ter origem no esquema de caixinha dos ônibus.

Para o Ministério Público, o esquema de corrupção em Santo André começou a implodir quando Daniel descobriu que a propina não vinha irrigando as campanhas eleitorais do PT da forma como ele queria, mas estava morrendo nas mãos de Sombra, Ronan e Klinger. O prefeito teria então trabalhado na preparação de um dossiê sobre as atividades dos três parceiros, para neutralizá-los. Eles, ao tomarem conhecimento dos planos de Daniel, teriam decidido fazer o seqüestro para obter documentos e informações. Em seguida, o mataram. Do promotor Wider Filho:

– Ele foi eliminado porque se opôs ao esquema ao verificar que o dinheiro estava sendo direcionado para os integrantes da quadrilha, e não mais para as campanhas eleitorais de seu partido.

Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) entregue à CPI dos Correios aponta “irregularidades graves” em 15 de 54 contratos examinados dos Correios. A auditoria encontrou indícios de favorecimentos à empresa Novadata, do empresário Mauro Dutra, o Maurinho, amigo do presidente Lula, no valor de R$ 3,4 milhões. O consórcio Alpha, do qual a Novadata também faz parte, teria sido beneficiado irregularmente em R$ 5,5 milhões.

Há indícios de superfaturamento de R$ 53 milhões no contrato com a Skymaster, responsável pelo transporte de cargas para os Correios, e de irregularidades na compra de 1.500 cofres da empresa Conan, com pagamento indevido de R$ 4,8 milhões.

A SMPB, agência de publicidade de Marcos Valério, foi apontada como tendo cometido sete infrações. Entre elas, o recebimento de comissões sem a prestação de serviços, o superfaturamento na aquisição de bens e prestação de serviços e subcontratações sem justificativas contratuais.

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