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Cronologia da Crise:

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16/09/2005

Depoimento em juízo. Um dos homens presos pelo assassinato de Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André (SP), afirma que o ex-segurança e empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra, prometeu R$ 1 milhão pelo crime. Relata que no dia do seqüestro, em 18 de janeiro de 2002, a quadrilha recebeu ligação de Sombra, conforme o que fora acertado, com o aviso de que ele e o prefeito haviam saído do restaurante onde tinham jantado.

O autor do depoimento, cuja identidade é mantida em sigilo, diz que Sombra “facilitou” a ação dos seqüestradores. “Fizemos o que já tinha sido combinado antes, fechar com a Blazer, atirar nos pneus e nos vidros, para Sombra destravar as portas do carro”.

O objetivo do seqüestro era “arrancar” do prefeito documentos que interessavam a Sombra. Os papéis teriam sido obtidos. O corpo de Daniel foi encontrado dois dias depois, com marcas de tiro e sinais de tortura, numa estrada de terra em Juquitiba (SP). O preso escreveu uma carta endereçada a Sombra, em 12 de agosto de 2005:

“Você nos contratou para pegar o prefeito Celso Daniel, para arrancar os documentos que estavam com ele e, depois, eliminar o mesmo. Nós fizemos o que você mandou no dia certo. Já se passaram muitos anos depois do acontecido e você sequer nos procurou. Nós não iremos segurar tudo isso para você.”

Em depoimentos à Polícia Federal, a irmã do advogado Rogério Buratti, Rosângela, e a ex-mulher dele, Elza Gonçalves, afirmam que o então prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antonio Palocci (PT), participou de três churrascos na casa de Buratti, em 2002. Naquele ano, Buratti era o vice-presidente da empreiteira Leão Leão, que mantinha contratos de coleta de lixo e de construção civil com a Prefeitura de Ribeirão. Em depoimento, Buratti afirmou que a Leão Leão pagou propina de R$ 50 mil mensais ao prefeito Palocci, em 2001 e 2002.

A Polícia Federal também ouviu Elisa Sueli Ribas Santos, a viúva de Ralf Barquete. Ele era o secretário da Fazenda da Prefeitura de Ribeirão, na época em que Buratti era o vice-presidente da Leão Leão. E, segundo Buratti, Barquete tinha a atribuição de levar os R$ 50 mil mensais destinados a Palocci, um dinheiro que teria sido repassado ao PT. A viúva informa que Barquete também participou de um dos churrascos na casa de Buratti, junto com o Palocci.

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