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Cronologia da Crise:

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19/09/2005

Lula reúne-se a portas fechadas com o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE). O encontro leva uma hora. O Palácio do Planalto não permite que a reunião seja fotografada. Severino entrou pela garagem, para evitar ser visto em público. Do que transpira do encontro, Severino recebeu garantias do presidente de que o ministro das Cidades, Márcio Fortes, será mantido no cargo. Fortes foi uma indicação de Severino.

O presidente da Câmara vai renunciar. Da mesma forma que o ministro Fortes, José Maurício Valadão Cavalcanti, filho de Severino, permanecerá no posto de superintendente federal de Agricultura em Pernambuco. Continuarão empregados em cargos de confiança na Câmara, ainda, os seguintes parentes de Severino: Olga Maria, nora; Catharina, filha; Marlene Cavalcanti, irmã; e Rafaella, neta. Todas com vencimentos de R$ 1.600,00 a R$ 7.500,00.

O TCU (Tribunal de Contas da União) divulga resultado de auditoria que apontou indícios de lucros excessivos por parte da GDK, a empresa contratada pela Petrobrás que deu um jipe Land Rover de presente ao ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Os auditores do TCM encontraram indícios de superfaturamento de R$ 7,2 milhões, e sobrepreços de outros R$ 48,9 milhões. Total das supostas perdas da Petrobrás: R$ 56,1 milhões. O suspeito “lucro excessivo” foi obtido por despesas financeiras em duplicidade, direcionamento de licitação e falhas na elaboração de orçamentos em dois contratos de R$ 160 milhões.

A CPI dos Bingos recebe dados oriundos da quebra de sigilo telefônico de integrantes da chamada “república de Ribeirão Preto”. Ralf Barquete, consultor da presidência da Caixa Econômica Federal, ligou 26 vezes para o celular de Ademirson Ariosvaldo da Silva, secretário particular do ministro Antonio Palocci (PT-SP), entre os dias 1 e 8 de abril de 2003. Naquele período, a Caixa negociava com a multinacional Gtech a renovação de um contrato de R$ 650 milhões. O celular de Ademirson era um dos meios de se conversar com Palocci.

A CPI investiga se a Gtech pagou propina para renovar o contrato. A multinacional acusa o advogado Rogério Buratti, outro membro da “república de Ribeirão”, de exigir R$ 6 milhões para garantir o negócio. Buratti alega que a Gtech ofereceu até R$ 16 milhões para que ele intermediasse o contrato.

O Ministério da Fazenda, por sua vez, garante não ter nada a ver com o rolo. Em nota, alega que Palocci não tem ligação com os telefonemas: “Barquete e Ademirson foram amigos desde a época em que trabalhavam na Prefeitura de Ribeirão Preto. Continuaram mantendo estreito relacionamento pessoal e familiar até o falecimento de Barquete, em junho de 2004”.

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