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Cronologia da Crise:

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20/09/2005

Em depoimento conjunto às CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos, o doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, acusa um conluio entre a corretora Bônus-Banval, Marcos Valério, PT e PP. Condenado a 25 anos por lavagem de dinheiro, Toninho da Barcelona chega à sessão algemado e protegido por forte esquema de segurança. Ele levanta dúvidas sobre os empréstimos que Valério e Delúbio Soares dizem ter tomado nos bancos Rural e BMG. Diz o doleiro:

– Esse tipo de operação é comum nos casos em que as partes interessadas desejam esquentar dinheiro de origem ilícita.

Para Toninho da Barcelona, os empréstimos seriam uma forma de “esquentar” o dinheiro de que Valério e o PT já dispunham no exterior. A grana teria ingressado no Brasil pelo Trade Link Bank, um braço do Banco Rural que faz operações com empresas offshore.

Toninho da Barcelona afirma que Dario Messer, “o principal doleiro do PT”, enviava a moeda norte-americana do Panamá. A Barcelona Tour trocava os dólares por reais e entregava os valores convertidos à Bônus-Banval, cujo proprietário, Enivaldo Quadrado, era “amigo íntimo” do deputado José Dirceu (PT-SP).

A corretora transferia o dinheiro para pessoas indicadas pelo PT e pelo PP, principalmente ao deputado José Janene (PP-PR). Toninho da Barcelona afirma ter trocado US$ 2 milhões, a pedido de Dario Messer, entre 3 de setembro e 9 de outubro de 2002. Era o auge da campanha eleitoral que elegeu Lula. A bolada, convertida em reais, rendeu aproximadamente R$ 7 milhões. Diz o doleiro:

– Esse dinheiro teve como destino a Bônus-Banval.

Toninho da Barcelona levanta suspeita contra o deputado José Mentor (PT-SP), o relator da CPI do Banestado, que não o chamou para ser ouvido pela comissão. Os doleiros Dario Messer e Vivaldo Alves, o Birigui, tampouco prestaram depoimento. Para Toninho da Barcelona, Mentor procurou proteger o ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP), em troca do apoio dele a Marta Suplicy (PT-SP), que disputava o segundo turno da reeleição à Prefeitura de São Paulo, em 2004:

– O Mentor sabia que eu podia citar o Birigüi como operador do Maluf, e aí as coisas poderiam se complicar.

O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) também é citado pelo doleiro. Toninho da Barcelona afirma que trocou milhares de dólares para Marcos, o filho de Devanir, então vereador em São Paulo. As operações ocorreram entre julho e setembro de 2002. Na sessão, Devanir procura intimidar o doleiro, ameaçando-o com um processo.

Em resposta, Toninho da Barcelona enumera repasses feitos a Marcos: US$ 30 mil em 10 de julho, US$ 25 mil em 17 de julho, US$ 20 mil em 5 de agosto, US$ 8,5 mil em 9 de agosto, US$ 10 mil em 10 de agosto e US$ 35 mil em 30 de setembro.

Parte do depoimento de Toninho da Barcelona é fechada ao público e restrita a apenas cinco parlamentares. Ele relata o que ouviu do doleiro Najun Turner, com quem estava preso na mesma cela. O PT teria entregue R$ 8 milhões ao deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), em troca do seu apoio ao governo Lula.

Segundo o doleiro, a quantia foi paga nos meses de março e abril de 2005, após a eleição de Severino. De fato, o deputado foi eleito pela oposição ao derrotar o governista Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Depois, bandeou-se para o lado de Lula.

Toninho da Barcelona diz que foram dois depósitos: um de R$ 5 milhões, providenciado pelo esquema de Marcos Valério, e outro de R$ 3 milhões, intermediado por Dario Messer. O dinheiro teria sido repassado ao deputado José Janene (PP-PR).

O doleiro abordou o esquema de corrupção em Santo André (SP). Segundo ele, o dinheiro proveniente da propina paga por empresas de ônibus era depositado num banco nos Estados Unidos.

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