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Cronologia da Crise:

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27/09/2005

O governo joga pesado para eleger o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) presidente da Câmara. Promete liberar até R$ 1 bilhão para o ministro Alfredo Nascimento (PL-AM), dos Transportes, aplicar em obras. E anuncia a devolução de cargos importantes ao PTB, retirados do partido depois que Roberto Jefferson denunciou o escândalo do mensalão.

Uma das estrelas do escândalo do mensalão, aliás, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, participa diretamente das negociações para eleger Rebelo. Reúne-se com o ministro Jaques Wagner (PT-BA) no Palácio do Planalto. Está acompanhado de outro acusado de envolvimento no escândalo, o deputado Sandro Mabel (PL-GO).

Investigações da Receita Federal apontam suspeitas sobre o enriquecimento do publicitário Duda Mendonça. Em 2002, ano da eleição de Lula, os bens dele totalizavam R$ 6,8 milhões. Em 2004, chegaram a R$ 13 milhões líquidos, livres de dívidas e obrigações. Apesar do envolvimento de Duda no escândalo do mensalão, ele mantém contas publicitárias da Petrobrás e do Ministério da Saúde.

O empresário Marcos Valério, por sua vez, tinha R$ 5 milhões em 2002. Em 2004, no segundo ano do governo Lula, o patrimônio de Valério chegou a R$ 18,5 milhões. A movimentação financeira do empresário também impressiona. Em 2003, passaram por suas contas bancárias R$ 13 milhões.

A Receita Federal apura indícios de sonegação de impostos de sete envolvidos no escândalo. São os deputados Romeu Queiroz (PTB-MG), Josias Gomes (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA), José Janene (PP-PR), Vadão Gomes (PP-SP) e os ex-deputados Valdemar Costa Neto (PL-SP) e Carlos Rodrigues (PL-RJ).

Queiroz declarou renda de R$ 420 mil em 2004, mas movimentou como pessoa física R$ 4,3 milhões, mais de dez vezes os rendimentos informados ao fisco. Gomes declarou renda de R$ 33 mil em 2002. Depois que Lula se tornou presidente, passaram R$ 697 mil pelas contas do deputado em 2003, e R$ 678 mil em 2004.

Valdemar declarou renda de R$ 293 mil em 2002, mas movimentou R$ 827 mil. E Rodrigues informou rendimento de R$ 446 mil, enquanto sua movimentação financeira chegou ao R$ 1,8 milhão. É digno de nota, ainda, o caso do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). A renda dele e da mulher, Márcia Milanésio, subiu dos R$ 489 mil declarados em 2002, para R$ 841 mil em 2004.

A Receita Federal descobriu mais: o deputado Paulo Fernando dos Santos (AL), presidente do diretório do PT de Alagoas, declarou renda de R$ 80 mil em 2004, mas movimentou R$ 1,3 milhão. O deputado Professor Luizinho (PT-SP) teve um acréscimo patrimonial líquido de R$ 477 mil entre 2003 e 2004.

O deputado José Janene (PP-PR), tido como uma das estrelas do escândalo do mensalão, declarou renda de R$ 565 mil em 2004. A movimentação financeira dele foi de R$ 1 milhão. O deputado Vadão Gomes (PP-SP), envolvido no escândalo, declarou renda de R$ 1,2 milhão em 2004. A Receita Federal apurou movimentação de R$ 2,8 milhões. E Jacinto Lamas, o tesoureiro do PL, declarou R$ 495 mil em 2004. Movimentou R$ 1,9 milhão.

Darci Rocha, conselheiro da Refer, o fundo de pensão dos ferroviários, faz denúncia à Secretaria de Previdência Complementar, do Ministério da Previdência Social. Acusa uma tentativa de desviar R$ 19 milhões da Refer, para financiar campanhas eleitorais do PT em 2004. Do total, R$ 10 milhões seriam destinados à reeleição da prefeita Marta Suplicy (PT-SP) em São Paulo, R$ 5 milhões iriam para a campanha do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) a prefeito do Rio e R$ 4 milhões chegariam às mãos do deputado Carlos Santana (PT-RJ), para repartir com aliados. De acordo com Rocha, o esquema foi barrado pelo ex-presidente da Refer, Jorge Moura.

Ligações perigosas. O Jornal Nacional, da TV Globo, noticia as andanças do empresário Arthur Wascheck, tido como o mandante da gravação na qual o alto funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina de R$ 3 mil. Wascheck fez quatro depósitos, em dinheiro, no total de R$ 26 mil, ao então tesoureiro Delúbio Soares, entre 2003 e 2005.

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