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Cronologia da Crise:

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5/09/2005

Lula sai em defesa do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Pede ajuda ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Quer evitar que Severino seja obrigado a deixar a presidência da Câmara. Afinal, o deputado pernambucano se revelou um fiel aliado do governo na crise política. O ministro Jaques Wagner (PT-BA), das Relações Institucionais, também recebe orientação do presidente para atuar ao lado de Severino, contra o afastamento pretendido pela oposição. Ao longo do dia, Wagner conversa com dirigentes petistas e integrantes da base aliada do governo. Pede a todos para que não critiquem Severino.

Enquanto Wagner pressiona, circulam em Brasília cópias de um texto escrito por Sebastião Buani, o dono do restaurante Fiorella. Traz o título sugestivo “A história de um mensalinho”. Em duas páginas, a denúncia de que Severino recebeu 13 pacotes de dinheiro em 2003, num total de R$ 84 mil. O presidente da Câmara chegou a ligar até seis vezes num mesmo dia, para cobrar o pagamento da propina de R$ 10 mil mensais que estava atrasado. O dinheiro era uma exigência dele em troca do contrato forjado de concessão, o instrumento que permitiu o funcionamento do Fiorella, outros dois restaurantes e seis lanchonetes nas dependências do Congresso.

O jornal O Estado de S. Paulo publica entrevista com Luciano André Maglia, ex-gerente financeiro da gráfica e editora Villimpress, de Ribeirão Preto (SP). Ele havia denunciado ao Ministério Público, com a identidade guardada sob sigilo, um esquema de pagamento de material de campanha para o PT, feito pela Leão Leão. Como se sabe, a empreiteira era a responsável pela coleta de lixo e por vários contratos de obras e serviços em Ribeirão, na época em que Antonio Palocci (PT-SP) era o prefeito da cidade.

Maglia relata ao repórter Lourival Sant’Anna que, já em 2000, a Villimpress imprimiu cartazes, faixas e santinhos para a campanha de Palocci, então candidato do PT a prefeito. Tudo pago pela Leão Leão. Em 2002, com Palocci prefeito, nova campanha eleitoral. Agora, a Leão Leão manda fazer material eleitoral para deputados estaduais e federais do PT, cuja propaganda traz os nomes dos candidatos a governador e senador do partido, José Genoino e Aloizio Mercadante, além do nome do candidato a presidente, Lula.

O ex-gerente da gráfica fala da emissão de duplicatas simuladas em nome de Juscelino Dourado, na época secretário da Casa Civil de Ribeirão. Envolvido no escândalo, afastou-se da chefia de gabinete do Ministério da Fazenda, um dos mais importantes cargos de assessoria do ministro Palocci. Além de duplicatas simuladas, havia boletos bancários para Dourado e notas fiscais de serviços gráficos encaminhadas à Leão Leão, em valores que chegaram a R$ 50 mil por dia. A complexidade do esquema, segundo Maglia:

– Acho que era para confundir.

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