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Cronologia da Crise:

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6/09/2005

Em depoimento à Polícia Federal, Izeílton Carvalho de Souza, ex-gerente do restaurante Fiorella, confirma: o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), recebeu propina de R$ 10 mil mensais em 2003, para que as portas do restaurante ficassem abertas. O dinheiro era entregue em envelopes ou em cheques. O pagamento ficou a cargo da diretora do restaurante, Gisele Buani, filha do dono, Sebastião Buani.

A CPI dos Correios conclui a análise dos documentos provenientes da quebra dos sigilos telefônicos de duas estrelas do escândalo do mensalão. Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, fez 121 telefonemas para o Palácio do Planalto, sede do governo federal, em 2003 e 2004. Do total, 59 foram para o Ministério da Casa Civil, sob comando de José Dirceu, inclusive para Waldomiro Diniz, no período que antecedeu o seu afastamento, conseqüência da divulgação de uma gravação em que aparecia pedindo propina.

As empresas de Marcos Valério, por sua vez, fizeram 129 ligações para a presidência da República, no período em que a DNA e a SMPB disputavam as licitações pertinentes aos contratos publicitários com o Banco do Brasil, no valor de R$ 111 milhões, e com os Correios, no total de R$ 23 milhões. Foi entre agosto e dezembro de 2003. Do total de 268 chamadas das empresas de Valério sob suspeita, a grande maioria foi para a Secom, a Secretaria de Comunicação da presidência da República, sob comando do ministro Luiz Gushiken. O mesmo Gushiken que sempre negou qualquer interferência em contratos de publicidade de estatais.

Em depoimento à Polícia Federal, Marcos Valério reafirma ter repassado R$ 15,5 milhões para Duda Mendonça, o marqueteiro de Lula, atendendo a pedido de Delúbio Soares. Mas nega ter depositado o dinheiro no exterior e refuta a acusação de que orientou Duda a abrir conta fora do país, como condição para receber o pagamento por serviços prestados ao PT.

Segundo Valério, o dinheiro fazia parte do caixa 2 do PT e as parcelas eram sacadas por Zilmar Fernandes Silveira, sócia de Duda, em agência do Banco Rural, em São Paulo. Ela teria sido assaltada e, a partir daí, solicitou que os cheques fossem entregues ao doleiro Jader Kalid, em Belo Horizonte. Diz Valério:

– Zilmar falou que Jader seria seu consultor financeiro e ficaria encarregado de descontar os cheques emitidos para pagar Duda.

Explicação de Valério:

– A Zilmar afirmou que não poderia contabilizar os recebimentos, motivo pelo qual solicitou que os cheques fossem nominais à SMPB.

No depoimento, Valério cita o deputado José Janene (PP-PR), integrante da base aliada do governo Lula e suspeito de ser um dos operadores do mensalão. Segundo Valério, Janene foi o responsável pela indicação da corretora Bônus-Banval para intermediar o pagamento do dinheiro. Por intermédio da corretora, R$ 10 milhões foram repassados para PP, PL e PT, da seguinte forma: R$ 900 mil para o PL, R$ 1,2 milhão para o PP e R$ 7,9 milhões para o PT.

Em depoimento considerado inconsistente pela Polícia Federal, o deputado José Mentor (PT-SP) tenta justificar o recebimento de R$ 120 mil de Marcos Valério. Alega que o dinheiro foi um pagamento por “estudos jurídicos” feitos por seu escritório de advocacia, a pedido de empresas de Valério. Mentor não apresenta documentos. Diz que o contrato foi verbal e que os tais estudos jurídicos não podem ser revelados, “por questões de sigilo profissional”. A suspeita: Mentor recebeu propina para favorecer o Banco Rural, ligado a Valério, durante a CPI do Banestado.

O secretário de finanças do PT de Minas Gerais, Carlos Magno Ribeiro Costa, admite em reunião do partido que sacou dinheiro de conta bancária da SMPB, em 2004. De acordo com informações de Marcos Valério, o PT mineiro recebeu R$ 774 mil do valerioduto. A lista de Valério aponta como beneficiário Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). O prefeito e o tesoureiro continuam negando o uso de dinheiro de caixa 2.

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