Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

117
7/09/2005

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulga, em Nova York, o Relatório Mundial do Desenvolvimento Humano de 2005. O Brasil, uma das 15 maiores economias do mundo, ocupa o 63° lugar entre 177 países. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é calculado por meio de medições que levam em conta expectativa de vida, taxas de alfabetização, taxas de matrículas escolares e renda per capita.

A situação do Brasil é desconfortável. Só em cinco países os 10% mais pobres da população ficam com uma parcela da renda menor que a dos brasileiros mais pobres: Venezuela, Paraguai, Serra Leoa, Lesoto e Namíbia. Pior: para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, responsável pela elaboração do relatório, em nenhum país do mundo a desigualdade de renda é tão intensa quanto no Brasil. Aqui, os 10% mais ricos ficam com 46,9% da riqueza, enquanto os 5% mais pobres amargam 0,7% da renda.

Em Brasília, Lula faz pronunciamento oficial em cadeia de rádio e televisão, para comemorar o Dia da Independência. Em seu discurso afirma que, 32 meses depois de assumir o cargo de presidente, “cada um de vocês é testemunha. Vencemos a crise econômica, recolocamos o país nos trilhos. Juntos, governo e povo, fizemos o Brasil voltar a crescer de modo sustentado”. Lula elogia a distribuição de renda e os programas sociais inovadores, pelos quais “passamos a enxergar e a cuidar dos pobres deste país”. E mais:

– Os resultados estão aí, à vista de todos. A economia cresce, a indústria cresce, o comércio cresce, as exportações crescem, o emprego cresce, o salário cresce, cresce a transferência de renda para os pobres, a inflação cai, o custo da cesta básica também cai.

De volta a Nova York, o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), presidente da Câmara, em viagem oficial para representar o Brasil em evento da União Interparlamentar. Ele está transtornado. Nas entrevistas concedidas, dá versões divergentes para tentar explicar o caso do mensalinho. Na primeira manifestação, pela manhã, nega a existência da propina. Mas faz uma ressalva:

– Eu não assinei esse contrato. E, se assinei, é um contrato normal, que deve estar junto com toda a documentação.

Minutos depois, se diz reticente:

– Tenho de ver o original. O ônus da prova cabe a quem denuncia.

No período da tarde, Severino volta a ser questionado. E volta a dizer que o contrato não existiu.

– Aquele documento não existe. Mas, se existe, é uma falsidade. Documento como aquele eu não assinei. Só pode ser um documento falso.

anterior | próxima | início