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Cronologia da Crise:

Outubro de 2005

1.10.2005

A revista Época traz à tona mais um jipe misterioso na história do PT. Desta vez, um Mitsubishi Pajero, modelo TR4, que custou R$ 70,5 mil. A reportagem de Matheus Machado relata que, até o estouro do escândalo do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) podia ser visto circulando com o carro em Brasília. Quando não estava com Cunha, o carro ficava guardado na garagem do apartamento funcional do deputado. Depois, o veículo sumiu.

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2.10.2005

O jornal Folha de S.Paulo publica entrevista com o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, afastado do cargo depois de ganhar um jipe Land Rover da empresa GDK, uma contratada da Petrobrás. Ele confessa ao repórter Leonardo Souza ter tido conhecimento do esquema de caixa 2 do PT. Diz Silvinho Pereira:

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3.10.2005

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), afirma que o dinheiro alimentador do caixa 2 do PT pode ter tido origem em recursos do próprio partido, mantidos no exterior. Para ele, existem indícios de que os empréstimos de Marcos Valério eram fictícios:

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5.10.2005

A comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara dos Deputados recomenda ao Conselho de Ética da Casa a abertura de processo de cassação contra 13 deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. São eles: João Paulo Cunha (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA), João Magno (PT-MG), Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE), Vadão Gomes (PP-SP), Pedro Henry (PP-MT), Wanderval Santos (PL-SP), José Borba (PMDB-PR) e Roberto Brant (PFL-MG).

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6.10.2005

Em depoimento à CPI dos Bingos, Bruno Daniel, irmão do prefeito assassinado Celso Daniel (PT), confirma ter ouvido o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, admitir ter levado dinheiro do esquema de corrupção de Santo André (SP) para o PT. Bruno conta que Carvalho, ex-secretário de Governo de Santo André, pediu para conversar com a família em 26 de janeiro de 2002, após a missa de sétimo dia em memória de Daniel:

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7.10.2005

Algumas semanas depois de se dizer traído e pedir desculpas em pronunciamento de televisão pelos erros cometidos pelo PT, Lula reúne 67 dos 83 deputados do PT no Palácio do Planalto. Alguns acusados de envolvimento no escândalo do mensalão estão presentes. Lula presta solidariedade:

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8.10.2005

A revista Veja conta a história de Genival Inácio da Silva, o Vavá. É um dos seis irmãos de Lula. Metalúrgico aposentado, abriu um escritório para intermediar solicitações de empresários junto a prefeituras do PT, empresas estatais e órgãos do governo federal. Faz tráfico de influência. Diz a reportagem assinada por Camila Pereira e Marcelo Carneiro:

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9.10.2005

O jornal Folha de S.Paulo noticia o resultado de uma investigação da Procuradoria da República no Distrito Federal, sobre uso da máquina pública e tráfico de influência no Ministério da Casa Civil. Os trabalhos foram conduzidos pelo procurador Luciano Sampaio Rolim. Conclusões: Waldomiro Diniz, ex-sub-chefe de assuntos parlamentares e um dos principais auxiliares do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), organizou reuniões e audiências para José Carlos Becker de Oliveira, o Zeca Dirceu, filho de Dirceu, com pelo menos sete ministros de Estado e o presidente Lula.

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10.10.2005

Mais informações sobre o relacionamento entre a direção nacional do PT, o empresário Marcos Valério e os bancos Rural e BMG. O PT e Valério rolaram 30 vezes as operações de crédito feitas junto àquelas instituições financeiras. Ao longo de dois anos, os empréstimos não pagos alcançam R$ 100 milhões. Durante o período, foram efetuadas apenas quatro amortizações, num total de R$ 3,6 milhões. Equivalem a cerca de 5% da dívida original, apontada em R$ 63 milhões, em valores corrigidos.

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11.10.2005

A Mesa da Câmara dos Deputados aprova a abertura de processos de cassação contra 13 deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. Em sessão fechada, o Conselho de Ética da Câmara faz acareação entre a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) e o deputado Sandro Mabel (PL-GO). Ela o acusa de lhe ter oferecido R$ 30 mil mensais, mais R$ 1 milhão. Em troca, teria de mudar de partido e integrar a base aliada do governo Lula. Ele, cujo mandato corre risco de cassação, nega. Diz Raquel:

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12.10.2005

Está morto, sem sinais aparentes de violência, o perito criminal Carlos Delmonte Printes, de 55 anos. Foi encontrado sozinho em seu escritório em São Paulo. Ele atestou sinais de tortura no corpo do prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em janeiro de 2002. Um pouco antes de morrer, Printes disse ao Ministério Público que havia sido proibido pela Polícia Civil de comentar o caso Daniel. As conclusões do trabalho do legista contrariavam o inquérito policial, segundo o qual Daniel fora vítima de um crime comum. Declaração do perito, menos de dois meses antes de morrer:

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13.10.2005

Em entrevista publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Ricardo Berzoini (PT-SP), o novo presidente do PT, afirma que “o caixa 2 é do nosso folclore político”. Ex-ministro do Trabalho do presidente Lula, Berzoini fala às repórteres Mariana Caetano e Vera Rosa:

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14.10.2005

Sem mencionar países ou governantes, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, faz pronunciamento na abertura da 15ª Reunião da Cúpula Ibero-Americana, em Salamanca, na Espanha. Deixa constrangido o presidente Lula, presente ao evento. Diz Kofi Annan:

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15.10.2005

A revista Veja volta a publicar reportagem sobre as atividades de lobista do irmão do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá. César Alvarez, assessor do presidente da República, recebeu, com intermediação de Vavá, o empresário português Emídio Mendes, um dos controladores do Riviera Group, que atua no setor imobiliário, turístico e energético. O irmão do presidente participou da audiência, no Palácio do Planalto. Oito dias depois, o empresário, mais uma vez acompanhado de Vavá, estava de volta ao Palácio do Planalto. Desta vez para ser recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Por fim, e em decorrência dos encontros patrocinados anteriormente por Vavá, o empresário fez uma visita à sede da Petrobrás, empresa com a qual vinha tentando fechar negócios, no Rio de Janeiro. Acompanhou-o, mais uma vez, Vavá.

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16.10.2005

Delúbio Soares comemora o aniversário na fazenda Catonha, em Buriti Alegre (GO). O proprietário é o pai dele, Antônio Soares. Delúbio diverte-se refrescando os amigos com água de um caminhão-pipa da Prefeitura. O prefeito, João Alfredo de Mello (PT), foi eleito com apoio do ex-tesoureiro.

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17.10.2005

Renunciam os deputados mensaleiros Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR). Eles abrem mão dos mandatos assim que o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeita recurso apresentado por deputados do PT, que pretendiam evitar a instauração de processos de cassação por suspeita de envolvimento no esquema do mensalão. Ao contrário do que pleiteavam os petistas, o STF considerou que não houve cerceamento ao direito de defesa dos acusados. Afinal, os processos ainda não tinham sido sequer instalados.

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18.10.2005

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo de cassação do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética, recomenda a perda do mandato do ex-ministro, “como meio de restaurar a dignidade e a credibilidade” da Câmara dos Deputados. Diz Delgado:

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19.10.2005

O jornal Folha de S.Paulo reproduz o conteúdo da carta endereçada por Delúbio Soares ao PT, na qual o ex-tesoureiro faz a sua defesa dentro do partido. Para Delúbio, a responsabilidade pelo caixa 2 deveria ser dividida com a direção do PT, pois ele, como tesoureiro, apenas buscou soluções para problemas que tiveram origem em decisões coletivas. Diz a carta:

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21.10.2005

Técnicos das CPIs dos Correios e do Mensalão apontam indícios de pagamentos regulares do esquema de caixa 2 operado por Delúbio Soares e Marcos Valério ao PL do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP). Há cheques, depósitos em dinheiro e transferências eletrônicas, ao longo de vários meses. Em fevereiro de 2003, os repasses ao PL foram de R$ 500 mil semanais, em intervalos de oito dias. Dinheiro transferido: R$ 2 milhões. No mês seguinte, depósitos de R$ 300 mil por semana, durante cinco semanas. Dinheiro transferido: R$ 1,5 milhão.

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22.10.2005

A direção do PT reúne-se em São Paulo e expulsa Delúbio Soares do partido. Alega “gestão temerária”. Em nota, os dirigentes petistas afirmam ter sido contida a ofensiva das forças conservadoras contra o governo Lula e o PT. Dos 56 votos, 37 aprovam a expulsão do ex-tesoureiro, enquanto 16 propunham uma suspensão por três anos. Entre os que desejavam apenas a suspensão, o deputado José Dirceu (PT-SP), o novo tesoureiro do partido, Paulo Ferreira, a mulher de Delúbio, Mônica Valente, e o autor da defesa da proposta, João Felício, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores, ligada ao PT):

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25.10.2005

Depoimento à CPI dos Bingos. É de João Carlos da Rocha Mattos, juiz federal afastado e preso há dois anos sob a acusação de venda de sentenças. Ele presta informações sobre o conteúdo de 42 fitas cassetes que trazem escutas telefônicas gravadas supostamente de forma ilegal pela Polícia Federal, entre janeiro e março de 2002. As fitas reproduzem conversas entre integrantes do PT sobre as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT).

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26.10.2005

A CPI dos Bingos promove acareação entre João Francisco Daniel e Bruno Daniel, os dois irmãos de Celso Daniel, e Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula. Carvalho foi secretário de Governo de Daniel, na Prefeitura de Santo André (SP). Os irmãos acusam Carvalho de dizer, em três ocasiões diferentes, logo após o assassinato de Daniel, que ele mesmo, Carvalho, foi o responsável pelo transporte de dinheiro da propina de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu (PT-SP). O chefe de gabinete de Lula nega. Diz João Francisco:

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27.10.2005

A CPI do Mensalão promove acareação entre distribuidores e sacadores de dinheiro do caixa 2 do PT. Delúbio Soares, o ex-tesoureiro expulso do partido, mostra-se afinado com o empresário Marcos Valério. Mas não há entendimento. Os números do valerioduto, acima de R$ 55 milhões, não batem.

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28.10.2005

A Folha de S.Paulo publica reportagem para apontar que Delúbio Soares e Marcos Valério praticam chantagem contra o governo Lula e o PT. De acordo com o relato do repórter Kennedy Alencar, os dois enviaram recados exigindo dinheiro para não revelar fatos que agravariam a crise e comprometeriam lideranças políticas. Valério teria mencionado a quantia de R$ 20 milhões a Delúbio. A reportagem afirma:

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29.10.2005

A revista Veja denuncia um novo escândalo: o PT recebeu grande quantia em dólares, proveniente de Cuba. O dinheiro norte-americano chegou acondicionado em caixas de bebida. De acordo com o repórter Policarpo Junior, o comitê eleitoral de Lula recebeu, entre agosto e setembro de 2002, US$ 3 milhões. O dinheiro foi entregue pelo cubano Sérgio Cervantes, conselheiro político da embaixada de Cuba no Brasil, e depois levado para Campinas (SP) num avião Seneca, em duas caixas de uísque e uma de rum cubano. Buscou o dinheiro Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (PT-SP) em Ribeirão Preto (SP).

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31.10.2005

Deixa o Brasil o diplomata cubano Sérgio Cervantes, apontado como responsável pela entrega de dólares de Cuba para a campanha eleitoral de Lula, em 2002. Viaja sem dar quaisquer esclarecimentos sobre o caso.

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1.11.2005

O Conselho de Ética da Câmara aprova por unanimidade o arquivamento da acusação contra o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO). De acordo com os 14 deputados que julgaram a ação proposta pelo ex-deputado Roberto Jefferson, não há provas do envolvimento de Mabel no escândalo do mensalão.

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