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Cronologia da Crise:

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12/10/2005

Está morto, sem sinais aparentes de violência, o perito criminal Carlos Delmonte Printes, de 55 anos. Foi encontrado sozinho em seu escritório em São Paulo. Ele atestou sinais de tortura no corpo do prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em janeiro de 2002. Um pouco antes de morrer, Printes disse ao Ministério Público que havia sido proibido pela Polícia Civil de comentar o caso Daniel. As conclusões do trabalho do legista contrariavam o inquérito policial, segundo o qual Daniel fora vítima de um crime comum. Declaração do perito, menos de dois meses antes de morrer:

– É absolutamente excepcional a ocorrência de morte em casos de seqüestro-relâmpago. Com relação ao seqüestro convencional, nunca examinei um caso em que houvesse ritual de tortura, crueldade e desproporcionalidade que verifiquei no exame do corpo do prefeito.

Como evidências da tortura, Printes apontou a expressão de terror na face de Daniel, queimaduras nas costas e outras lesões no corpo, provocadas por estilhaços de balas disparadas perto da vítima, com a finalidade de amedrontá-la. Além disso, Daniel foi alvejado diretamente no rosto e no tórax.

A polícia vai investigar a causa da morte de Printes. Ele é a sétima pessoa envolvida no caso Daniel a morrer. Além dele, perderam a vida Dionízio de Aquino Severo, apontado como elo entre o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e a quadrilha acusada de matar o prefeito. Foi morto dentro de um presídio em Guarulhos (SP), algum tempo depois de dizer que conhecia Sombra, com quem freqüentou festas. Afirmara que só falaria em juízo.

Manoel Sérgio Estevam, o Sérgio Orelha, abrigou Severo em seu apartamento depois da morte do prefeito. Foi assassinado com vários tiros. Antonio Palácio de Oliveira, o garçom que serviu o último jantar a Daniel e presenciou a conversa do ex-prefeito com Sombra, no restaurante Rubayat. Morreu depois de ser perseguido por dois homens, tentando fugir em sua motocicleta. Foi alcançado, agredido com um chute. Perdeu o controle da moto e bateu num poste. Antes do assassinato, recebera um misterioso depósito de R$ 60 mil na conta bancária, cuja origem não foi identificada.

Paulo Henrique Brito, a testemunha que declarou à polícia ter presenciado a morte do garçom Oliveira. Morreu com um tiro nas costas. Otávio Mercier, investigador de polícia, conversou por telefone com Severo, um dia antes da fuga da cadeia. Severo foi resgatado de helicóptero, dois dias antes do seqüestro de Daniel. Mercier acabou morto ao perseguir homens que teriam roubado sua casa. E, por fim, Iran Moraes Redua, agente funerário, assassinado com dois tiros. Ele foi o primeiro a identificar o corpo de Daniel, abandonado em uma estrada de terra em Juquitiba (SP). Chamou a polícia para que fosse feito o reconhecimento do morto.

Militares da reserva dos Clubes Militar, Naval e da Aeronáutica divulgam o documento “Impunidade, não”. Protestam contra o escândalo do mensalão. Afirmam que “a operação abafa não pode prosseguir, assim como as tentativas de dificultar a identificação das origens do dinheiro espúrio”.

O documento denuncia o “gigantesco esquema de corrupção que tem como um dos principais objetivos – e isto é o mais grave – corromper membros do Congresso Nacional, para fazê-los aprovar proposições altamente discutíveis, em benefício do partido do governo e de seu projeto de poder”.

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