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Cronologia da Crise:

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16/10/2005

Delúbio Soares comemora o aniversário na fazenda Catonha, em Buriti Alegre (GO). O proprietário é o pai dele, Antônio Soares. Delúbio diverte-se refrescando os amigos com água de um caminhão-pipa da Prefeitura. O prefeito, João Alfredo de Mello (PT), foi eleito com apoio do ex-tesoureiro.

Apesar de formalmente afastado do comando do PT, Delúbio mantém a pose e os privilégios de dirigente do partido. Chegou a Buriti Alegre num automóvel Omega blindado, recém-adquirido, pelo qual pagou R$ 67 mil, à vista. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-tesoureiro informou ter patrimônio de R$ 168 mil.

Na fazenda em nome do pai, Delúbio faz a festa protegido o tempo todo por dois seguranças. O ex-tesoureiro concede entrevista ao repórter Expedito Filho, de O Estado de S. Paulo. Minimiza a importância do escândalo do mensalão:

– Nós seremos vitoriosos, não só na Justiça, mas no processo político. É só ter calma. Em três ou quatro anos, tudo será esclarecido e esquecido, e acabará virando piada de salão.

O Ministério Público de Goiás investiga se houve crime de sonegação fiscal na compra das propriedades da família de Delúbio Soares em Buriti Alegre. No total, os pais do ex-tesoureiro aparecem como donos de quatro imóveis com 185 hectares, registrados por R$ 147 mil. Perícia judicial aponta que as terras valem R$ 765 mil, cinco vezes mais. A compra das áreas foi feita entre maio de 2004 e abril de 2005, no auge do esquema do mensalão. O promotor Reuder Mota quer saber se as propriedades foram compradas com dinheiro proveniente de enriquecimento ilícito.

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