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Cronologia da Crise:

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19/10/2005

O jornal Folha de S.Paulo reproduz o conteúdo da carta endereçada por Delúbio Soares ao PT, na qual o ex-tesoureiro faz a sua defesa dentro do partido. Para Delúbio, a responsabilidade pelo caixa 2 deveria ser dividida com a direção do PT, pois ele, como tesoureiro, apenas buscou soluções para problemas que tiveram origem em decisões coletivas. Diz a carta:

“Ora, não se poderia imaginar que todas as metas indicadas e que tinham como objetivo final ‘vencer as eleições’, na estrutura social brasileira, que nenhum de nós desconhece, pudessem ser alcançadas sem despesas de grande monta. Foi exatamente o que ocorreu.”

Outro trecho:

“É óbvio, para aqueles que não querem adotar a hipocrisia como razão de viver, que recursos destinados ao pagamento de despesas não-contabilizadas não poderiam ser registrados na contabilidade do partido, independentemente da minha vontade.”

Agora, com ironia:

“Respeito a ingenuidade. Não sei, no entanto, de onde imaginavam que o dinheiro viria – se do céu, num carro puxado por renas e conduzido por um senhor vestido de vermelho – e menos ainda me recordo de que alguma preocupação com a origem desses recursos tenha me sido transmitida.”

Delúbio trata de proteger Lula. Afirma ter atendido “aqueles que me procuravam em busca de socorro”, e que “todos os nossos companheiros candidatos em 2002 e 2004, com exceção do presidente Lula, contaram com recursos não-contabilizados em suas campanhas”.

Acrescenta que o caixa 2 é “prática antiga e habitual no partido, pela qual jamais se viu uma punição”. Acusa o PT de ter se transformado “numa floresta de dedos em riste, duros como pedra”, todos apontados contra ele. Diz Delúbio em sua carta:

“Tranqüilizem-se os que foram beneficiados pelo meu trabalho, pois seus nomes não brotarão de minha boca, ainda que o meu não saia das deles.”

O STF (Supremo Tribunal Federal) rejeita pedido do deputado José Dirceu (PT-SP), para que seja suspenso o processo de cassação aberto contra ele no Conselho de Ética da Câmara. Por 7 votos a 3, o STF não aceita o argumento do ex-ministro, segundo o qual ele não poderia ser processado por quebra de decoro parlamentar, por supostos atos praticados num período em que exercia a função executiva de ministro da Casa Civil.

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